Faz mais sentido ter bolsa no exterior do que no Brasil, segundo Eduardo Castro, executivo-chefe de investimentos (CIO) da Portofino MFO. Nas carteiras dos clientes, ele diz ter, no máximo, 5% da carteira, dependendo do perfil. “Com juros mais altos, esse aumento de risco em ações deixa de ser tão óbvio.”
Para o brasileiro, a troca da renda fixa pela variável é menos vantajosa que para o estrangeiro, dado que o investidor local parte de juros a 14,5% ao ano, enquanto nos EUA, entre 3,5% e 3,75%. Só que o custo de oportunidade do gringo também subiu.
“Caso tenha fim o conflito [no Irã], o país vai caminhar não para o céu de brigadeiro que parecia antes, mas vai ficar mais positivo do que o mercado precificou”, diz. O estrangeiro é oportunista, num ambiente mais favorável ele volta aumentar o risco da carteira, “e o Brasil é sempre um candidato”.
O Nasdaq, que concentra as ações de tecnologia nos EUA, subia 8,1% no mês e 15,1% no ano, enquanto o S&P 500 teve alta de 4,9% em maio e acumulava 10,5%.
Quando a guerra parecia estar na pior fase, a WHG fez uma rotação nos portfólios. Em ações, concentrou no Nasdaq e no S&P 500, tirando o peso de emergentes e de empresas menores, diz Daniel Leichsenring, CIO da casa. Foi uma decisão acertada, que capturou uma “evolução da lucratividade das empresas americanas totalmente atípica e extraordinariamente forte”, afirma. “Talvez tenha sido a maior surpresa de lucros da história da economia americana fora de uma recuperação de recessão.”
Ele diz que as revisões para as companhias listadas no S&P500 estão em torno de 25% a 30% e para as da Nasdaq perto de 40%. Em tese, juros mais altos seriam um desincentivo ao posicionamento em ações, mas o “investimento em tecnologia está contribuindo cada vez mais para o crescimento do PIB americano”.
A renda fixa global também ficou mais atrativa, diz Marcela Rocha, CIO da Avenue. “Tem risco, volatilidade, mas está em patamares bem elevados”, afirma, referindo-se a taxas que superam os 4% a 5% ao ano, em dólar. “Isso pode fazer parte de uma carteira diversificada, é interessante.”
Tal receita vale até para o perfil conservador, diz Martin Iglesias, líder de recomendação de investimentos do Itaú Unibanco. “Há uma quantidade enorme de ativos que sequer têm no Brasil. Se o cliente quiser se expor à inteligência artificial, à biotecnologia não tem. As grandes tendências internacionais não estão aqui.”
Fonte: Valor Econômico