Por Valor, Valor — São Paulo
23/06/2023 00h05 Atualizado há 9 horas
O economista Gabriel Galípolo, indicado pelo governo Lula para o posto de diretor de Política Monetária do Banco Central, disse que tentará “construir pontes e tirar ruídos” entre o Ministério da Fazenda e o BC quando estiver em sua nova função.
Ex-secretário-executivo da Fazenda e braço direito do ministro Fernando Haddad, Galípolo será sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, em 4 de julho, para ter seu nome aprovado, ou não, para o cargo.
Em entrevista na noite de quinta-feira (22) à Band News, Galípolo respondeu sobre como pretende levar uma visão mais progressista ao Banco Central num momento em que a autoridade monetária tem um viés mais liberal da economia, que se reflete em uma postura contrária a baixar a taxa Selic imediatamente, como quer o governo.
“Tendo empatia com o ministro Haddad e um diálogo aberto com o presidente [do Banco Central] Roberto Campos, vou tentar construir pontes e tirar ruídos dentro do Banco Central”, afirmou o economista.
A indicação de Galípolo pelo governo é uma tentativa de levar nomes de sua confiança para dentro do BC e formar uma diretoria mais alinhada com a postura desenvolvimentista do governo Lula. Outras diretorias do Banco Central também passarão por trocas futuramente, abrindo mais espaço para diretores mais próximos do governo.
Sobre a decisão do BC de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, na última quarta-feira, Galípolo evitou polêmica e disse que será preciso esperar a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) para se ter mais elementos que embasem uma análise sobre o caminho que a autoridade monetária tomará em relação aos juros.
Lideranças do governo Lula criticaram a decisão de manter os juros em patamares elevados e se irritaram com o tom do comunicado divulgado pelo BC após a decisão, que julgaram “uma declaração de guerra” do Banco Central contra as aspirações do governo de fazer a economia crescer mais rapidamente.
“Infelizmente, temos as políticas fiscal e monetária atuando eventualmente em direções opostas no Brasil, mas elas precisam ser sintonizadas”, afirmou Galípolo. Ele amenizou as críticas ao BC ao dizer que a autoridade monetária avalia uma série de medidas para reconhecer “um ambiente mais favorável para baixar os juros”.
Galípolo afirmou que medidas como a aprovação da PEC da Transição, do arcabouço fiscal, e projeções de inflação menores, na casa de 4,80%, ajudam a construir o caminho para o corte na taxa Selic, mas que o BC enxerga cenários de longo prazo para tomar suas decisões.
“O ponto é o quanto se quer colher com esse juro real alto, quanto de efeito já foi colhido com os juros altos ou se é preciso ainda manter o juro alto para se levar a inflação à meta”, comentou o economista.
Segundo Galípolo, o arcabouço fiscal é uma tentativa de “achar o caminho do meio”, buscando desenvolvimento com controle da inflação.
Ele reafirmou que o ajuste fiscal trazido pela proposta do arcabouço “não será feito às custas dos mais pobres, com cortes no Bolsa Família ou na Farmácia Popular, mas dos R$ 600 bilhões anuais em gastos tributários, subvenções e subsídios que as empresas usufruem”.
Segundo ele, não será possível reaver em termos de arrecadação todo o montante identificado como gasto tributário, mas já há cerca de R$ 150 bilhões em renúncias que estão sendo transformados em arrecadação.
“Estamos colocando isso à luz do dia, a nossa opção de colocar o pobre no orçamento e o rico na mira da cobrança de impostos”, afirmou.
Fonte: Valor Econômico
