Davos – As fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) podem ficar mais aquecidas em 2026, com crescimento na casa dos 10%, prevê o Itaú BBA. O banco aposta que o segmento de empresas médias vai contribuir para o avanço do mercado este ano, além das grandes companhias de setores como o de saneamento, na visão de seu presidente, Flávio Souza.
O mercado de M&A vem de dois anos de negócios bilionários, mas de crescimento relativamente estável. Por isso, se 2026 avançar como se espera, será um ano de destaque. “Entramos em 2026 com boa expectativa. Considerando os mandatos que já temos e conversas que temos tido, a sinalização é que pode ser um ano que dá para crescer 10% em volume”, disse Souza à Coluna nesta terça-feira, 20, em Davos, na Suíça, onde ocorre o Fórum Econômico Mundial.
Entre os setores mais ativos, energia elétrica deve continuar com muitos negócios. Souza observa que as empresas de saneamento podem ter comportamento semelhante. Desde o marco que regula o setor, em 2020, foram 60 leilões de saneamento no Brasil. Assim como em energia, em que as companhias vendem partes do negócio, o Itaú BBA acredita que esse movimento pode começar a acontecer em saneamento, segmento que precisa captar bilhões para cumprir as metas de universalização acertadas com os governos nos leilões.
Oferta de ações? Pode ser
Para o mercado de ações, Souza acredita na chance de alguma abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) no Brasil este ano, possivelmente após as eleições. Ele observa que algumas grandes empresas vêm se preparando para esse momento há alguns anos. E a perspectiva de um ambiente de juros em queda, que ajuda a direcionar recursos dos investidores para ações, e valorização do Ibovespa, que bateu uma forte sequência de recordes, pode ajudar.
Para o presidente do Itaú BBA, começar 2026 com dois IPOs nos Estados Unidos, do banco digital PicPay e do Agibank, focado em consignado, é um movimento positivo, mas ele não espera muitas outras aberturas de capital lá fora este ano. “É mais uma coincidência do que tendência”, diz ele, sobre o fato de as duas saírem ao mercado no mesmo momento.
Na renda fixa, a queda maior das captações esperada para 2025, após os recordes de 2024, não veio e o ano terminou forte. Para 2026, a expectativa é de um volume um pouco menor, mas o executivo pondera que mesmo se cair 5% ou 10%, o patamar, na casa dos R$ 600 bilhões, ainda será relevante.
No ano passado…
Em 2025, Souza destaca que captações de setores ligados à infraestrutura, como nos leilões de saneamento e energia, ajudaram a levantar bilhões, a ponto de a diferença das taxas pagas pelas empresas aos investidores (spreads) ficarem muito comprimidas, por causa da alta demanda, eventualmente até negativas. “E muitos emissores se aproveitaram desse movimento do mercado.” Também pode ter havido uma antecipação de operações, como é comum em momentos antes de eleições.
Em Davos, em janeiro de 2025, Souza falou do desenvolvimento de uma área específica dentro do Itaú BBA voltado à infraestrutura e energia, isso após criar anteriormente segmentos para os setores do agronegócio, de tecnologia e imobiliário. Um ano depois, o executivo conta que a nova área caminha para superar R$ 200 bilhões em financiamentos em 2026, embalada pelos projetos de saneamento mencionados acima e outros setores, como portos. Atualmente, tem R$ 190 bilhões.
Para o crédito corporativo, a visão do Itaú BBA é de moderação nas operações este ano, o quinto seguido com taxas de juros em dois dígitos. Souza fala que o mercado pode crescer um dígito em 2026, na casa dos 6% a 8%. “O Itaú tem consistentemente crescido um pouco mais que o mercado. Nossa expectativa é que isso se repita este ano.” A percepção por enquanto não é um processo disseminado de reestruturações de dívidas ou recuperações judiciais, embora algumas possam ocorrer.
Geopolítica
Nas conversas e sessões em Davos até agora, o presidente do Itaú BBA ressaltou a forte presença de temas geopolíticos, em meio à expectativa pela participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no evento nesta quarta-feira, 21.
Sobre a percepção do Brasil no exterior, a avaliação é que o País segue relevante na agenda dos investidores estrangeiros. E para aqueles com perfil de longo prazo, as eleições de 2026 não têm peso tão grande, pois preferem se focar em temas mais amplos, como segurança institucional e maturidade do mercado financeiro e de capitais.
Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 20/01/2026, às 11:18
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Fonte: Estadão