Por Sérgio Tauhata, Valor — São Paulo
16/01/2023 13h09 Atualizado há 18 horas
O segmento de fundos imobiliários (FIIs) tem passado relativamente incólume ao impacto do escândalo contábil da Americanas. Segundo levantamento do Clube FII a pedido do Valor, nenhum dos portfólios listados na B3 que investem em certificados de recebíveis imobiliários (CRI) tem exposição direta à rede varejista.
Existem, porém, alguns FIIs entre os chamados “fundos de tijolo”, ou seja, com carteiras de imóveis físicos, que têm propriedades locadas para a B2W, a holding que controla a operação digital das Americanas.
O fundo Max Retail (MAXR11) tem uma exposição de 34% das receitas de aluguel do portfólio com lojas físicas do grupo. As cotas do MXR11 são aquelas com maior queda desde a divulgação do rombo de R$ 20 bilhões da varejista. No ano até 16 de janeiro, a cotação amarga queda de 4,12%, dos quais 3,28% apenas nesta segunda-feira.
Já o FII de logística GGR Covepi (GGRC11) tem uma exposição de 19,91% da renda, com galpões locados para a B2W. O GGRC11 acumula queda de 13,11% em janeiro até dia 16.
O GGRC11 emitiu comunicado no qual aponta para características dos contratos que protegem a carteira dos problemas das Americanas. Segundo o comunicado, o contrato de aluguel do centro de distribuição é atípico, ou seja, prevê pagamento de multa e de valores de locação pelo prazo restante em caso de rescisão antecipada. “Em caso de denúncia antecipada, a locatária deverá pagar uma multa equivalente ao valor aproximado de R$ 106 milhões (nessa hipótese de rescisão antecipada, o fundo terá o direito ao recebimento de 79,64% do valor pago a título de multa por rescisão, de acordo com as tranches pagas do preço de aquisição até o momento)”, aponta a gestora.
Outros fundos com exposição à Americanas são o XP Logística (XPLG11), com 8%; o Bresco Desenvolvimento Imobiliário (BRCO11), com 6%; e o Vinci Imóveis Urbanos (VIUR11), com 1%.
Fonte: Valor Econômico