O novo diretor executivo da Berkshire Hathaway, Greg Abel, afirmou neste sábado (28) que está comprometido em manter o balanço patrimonial sólido do conglomerado de US$ 1,1 trilhão e que suas enormes reservas de caixa não sinalizam um recuo na realização de negócios.
Abel usou sua primeira carta aos acionistas para ressaltar suas credenciais de investimento e seu compromisso com os princípios que seu antecessor, Warren Buffett, há muito defendia.
Abel, que assumiu o cargo em janeiro, se apresentou como um guardião do legado de Buffett e sinalizou que a filosofia de investimento da empresa não mudaria.
Ele disse aos acionistas que a Berkshire tem se empenhado em avaliar novos investimentos e que continuaria sendo um ponto de contato fundamental quando as empresas quiserem vender. O conglomerado com sede em Nebraska seria “um ativo, não um risco, para os Estados Unidos e para o sistema financeiro global”, escreveu ele.
“Nosso balanço patrimonial é um ativo estratégico a ser utilizado no momento certo”, escreveu. “Ele nos permite agir com decisão, investir quando outros estão hesitantes ou receosos e nos manter firmes quando as tempestades financeiras chegarem.”
O executivo de 63 anos afirmou que a recompra de ações continuaria sendo uma “opção importante de alocação de capital” e que a empresa não pagaria dividendos enquanto ele e o conselho acreditassem que a Berkshire pudesse gerar valor para os acionistas com esse capital.
Os níveis de caixa da Berkshire totalizavam US$ 373 bilhões no final do ano, um recorde quando excluído o valor dos títulos do Tesouro que a empresa havia comprado anteriormente, mas ainda não havia realizado.
“Muitas vezes na história da Berkshire, alguns observadores sugeriram que nossa substancial posição de caixa sinalizava um recuo nos investimentos”, escreveu Abel. “Não sinaliza.”
Ele citou a compra da divisão de produtos químicos da Occidental Petroleum pela Berkshire por US$ 9,7 bilhões, concluída no início deste ano, bem como o acordo para comprar a empresa de controle de pragas Bell Laboratories.
“Sem dúvida, haverá oportunidades adicionais para alocar o capital de nossos acionistas sem comprometer a resiliência da Berkshire”, escreveu Abel. “Meu papel é garantir que nossos níveis de liquidez e a alocação de capital permaneçam intencionais e deliberados.” Ele acrescentou: “Nosso objetivo sempre será a propriedade de empresas produtivas em vez de títulos do Tesouro dos EUA.”
Investidores e analistas tradicionalmente vasculham a carta anual da Berkshire, que no passado era repleta de anedotas pessoais de Buffett, em busca de insights sobre como o chamado Oráculo de Omaha enxergava o mundo. Buffett costumava usar a carta para destacar funcionários importantes da Berkshire, incluindo Abel.
Abel já começou a reformular a sede corporativa da Berkshire. No ano passado, a empresa contratou seu primeiro consultor jurídico interno e anunciou que um alto executivo da divisão de energia da Berkshire, a unidade na qual Abel ascendeu, se tornaria seu próximo diretor financeiro ainda este ano.
Um dos assessores de investimento de Buffett, Todd Combs, deixou a empresa para trabalhar no J.P. Morgan Chase como parte da reestruturação.
As ações da Berkshire sofreram poucas alterações este ano e tiveram um desempenho em linha com o retorno gerado pelo índice S&P 500 das principais ações dos EUA. A empresa ficou atrás do índice de referência das ações americanas no último ano.
Fonte: Valor Econômico
