Por Robert Wright, Em Financial Times — Algeciras
23/04/2024 15h58 Atualizado há 11 horas
Os portos de contêineres em todo o Mar Mediterrâneo ocidental estão perto de sua capacidade máxima, o que aumenta o risco de custos de estocagem mais altos e de falta de componentes para varejistas e fabricantes europeus, no mais novo problema para as cadeias de fornecimento da região.
Executivos do setor portuário disseram que precisam lidar com áreas de armazenagem superlotadas e demoras na atracação de navios,na sequência dos ataques houthis a embarcações no Mar Vermelho, e isso levou a uma explosão do tráfego nos portos de Algeciras e Barcelona, na Espanha, e Tânger Med, no Marrocos.
A dinamarquesa Maersk avisou recentemente seus clientes que a “densidade da área de estocagem” no porto de Barcelona cresceu muito por causa da alta capacidade, já que o porto trabalha com movimentos de transferência de cargas muito superiores aos normais. A Maersk acrescentou que os terminais de Algeciras e Tânger também sofrem com o problema.
Alonso Luque, executivo-chefe da TTI Algeciras, um dos dois terminais de contêineres em Algeciras, disse que seus armazéns estavam “bastante lotados” e só conseguiram evitar congestionamentos graves porque limitaram a quantidade de negócios que aceitam. “A capacidade está muito restrita”, afirmou ele.
Desvio de rota
A maioria das grandes empresas de transporte marítimo de contêineres que operam na rota entre a Ásia e a Europa redirecionou seu tráfego para contornar o Cabo da Boa Esperança, em vez de passar pelo Canal de Suez, depois do início dos ataques dos houthis, que têm apoio do Irã.
Os desvios obrigaram as empresas de transporte marítimo de carga a desenvolverem novos esquemas para as mercadorias que circulam entre a Ásia e portos na Itália, na Grécia e na Turquia.
Depois de contornar a África do Sul, muitos navios deixam seus contêineres em portos na parte ocidental do Mediterrâneo, como os de Algeciras e Tânger. A partir daí, serviços “auxiliares” de curta distância transportam as mercadorias para outros terminais do sul da Europa.
Os transtornos surgiram porque portos cruciais têm tido dificuldades para lidar com o forte aumento no tráfego de “transferência de cargas” resultante. Daniel Richards, diretor da consultoria marítima MSI, que tem sede em Londres, afirmou que os atrasos nos portos podem obrigar algumas empresas a manterem estoques extras ou por mais tempo.
Custos de estocagem
“[Um elemento] seria se os custos de estocagem subissem por causa disso”, disse Richards. Ele acrescentou que também havia riscos para o fornecimento de componentes para fabricantes.
Essa questão aparece porque os terminais que lidam com automóveis prontos também sofrem fortes congestionamentos, causados, em grande parte, pela disparada no número de unidades exportadas da Ásia para a Europa e a América do Norte e por uma desaceleração nas vendas de veículos.
Algeciras e Tânger Med ainda não publicaram estatísticas a respeito do tráfego este ano, mas Barcelona registrou um aumento de 17% na movimentação de contêineres em fevereiro, comparada com o mesmo mês de 2023.
A expectativa de muitos operadores de terminais é que os problemas não acabem, enquanto os desvios de rotas dos serviços continuarem.
Nabil Boumezzough, presidente do conselho de administração da Tangier Alliance, operadora do terminal de contêineres TC3 no Marrocos, contou que, este ano, o terminal tem operado constantemente com área de armazenamento perto da capacidade máxima.
“Isso tem desafiado sua eficiência, desafiado sua produtividade e desafiado a forma como você administra seu porto”, explicou Boumezzough.
A APM Terminals, braço que opera terminais da AP Møller-Maersk, informou que sofreu “pressões de curto prazo” em suas instalações em Barcelona, Algeciras e Tânger, mas, agora, podia observar “melhoras significativas”.
Contudo, os serviços de rastreamento de navios mostram que tanto em Algeciras como em Tânger eles frequentemente precisam esperar fundeados no mar antes de conseguirem atracar. Essas demoras costumam ser um sinal de que os portos estão ficando congestionados.
Luque afirmou que, por causa da falta de capacidade em Algeciras e Tânger, que ficam em lados opostos do Estreito de Gibraltar, as empresas de transporte marítimo de carga eram obrigadas a ir para portos menos convenientes e mais distantes.
Ele contou que as empresas estão usando instalações tão longínquas como as de Malta e Gioia Tauro, na Itália.
Fonte: Valor Econômico

