O fracasso em resolver a crise de energia no Oriente Médio mergulharia o mundo em um “cenário sombrio” de crescimento em queda e juros significativamente mais altos, alertou a OCDE.
A organização sediada em Paris afirmou que uma “perturbação prolongada” dos fluxos de energia que se estenda até o segundo semestre de 2027 reduziria o crescimento global para 2,1% neste ano e apenas 1,8% no próximo.
Tais taxas são “extremamente baixas fora de grandes recessões globais, como a crise financeira global ou a pandemia”, advertiu a OCDE, acrescentando que grandes bancos centrais, como o Federal Reserve dos EUA, precisariam responder elevando as taxas de juros em pelo menos meio ponto percentual para conter os riscos inflacionários.
Os esforços para superar a frágil trégua entre Washington e Teerã tropeçaram nos últimos dias, após o Irã atacar uma base militar americana no Kuwait em resposta a ataques americanos contra alvos militares no sul do Irã. Isso diminuiu as esperanças de que um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz a mais embarcações estivesse próximo.

Em seu mais recente panorama global, o cenário central da OCDE pressupõe que a crise possa ser resolvida em breve. Se os preços de energia seguirem os níveis atuais no mercado futuro [futures market], o crescimento global recuará neste ano para 2,8%, ante 3,4% em 2025, subindo para 3,1% em 2027, segundo a organização.
Nesse cenário central, o crescimento dos EUA desacelerará para 2,0% neste ano, ante 2,1% em 2025. A inflação americana atingirá 3,7% em 2026, bem acima da meta de 2% do Fed, mas abaixo dos 4,2% projetados pela OCDE em março.
Entre os países do G7, o Reino Unido terá a maior taxa de inflação do ano ao lado dos EUA, com alta de preços de 3,7%.
A OCDE revisou ligeiramente para cima sua projeção de crescimento do PIB britânico neste ano, para 0,9%, ante previsão anterior de 0,7% em março. O produto interno bruto deve avançar 1,1% em 2027.
No cenário central, os principais bancos centrais — incluindo o Fed e o Banco da Inglaterra — podem manter as taxas de juros inalteradas apesar do surto de inflação no curto prazo, disse a OCDE.
No entanto, o fracasso em garantir um acordo de paz até meados de 2027 causaria danos duradouros à economia global, advertiu a organização.
Stefano Scarpetta, economista-chefe da OCDE, afirmou: “Espero que ainda não estejamos no cenário de perturbações prolongadas, porque este é um cenário muito sombrio.”

Nessa perspectiva, os preços de energia seriam 50% mais altos do que os níveis atualmente indicados pelos mercados futuros. Haveria “escassez substancial” de produtos energéticos e de insumos agrícolas e industriais produzidos pelas economias do Golfo.
Isso resultaria em “efeitos cicatrizantes sobre o produto potencial” [scarring effects on potential output — impacto duradouro na capacidade produtiva da economia], com repercussões nos mercados financeiros e na confiança dos agentes econômicos, disse a OCDE.
A crise também poderia prejudicar os investimentos em inteligência artificial, em razão da elevada demanda energética do setor e da importância das commodities do Golfo em indústrias como a de semicondutores.
Os principais bancos centrais precisariam elevar as taxas de juros entre 0,5 e 0,75 ponto percentual para evitar os chamados efeitos de segunda rodada — a difusão do choque nos preços de energia para o restante da economia.
As pressões sobre as finanças dos governos aumentariam, acrescentou a OCDE, especialmente nas economias mais frágeis. Juros mais altos limitariam o espaço disponível para que os governos adotem “medidas discricionárias para ajudar a estabilizar a atividade” econômica.
Fonte: Financial Times
Traduzido via Claude

