Um grupo de 27 médicos entregou ao conselho da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas uma carta ameaçando com pedido de demissão conjunta, caso o atendimento e fornecimento de medicamentos a pacientes não seja restabelecido até o começo da próxima semana, segundo o Valor apurou. A rede de atendimento oncológica atravessa uma longa crise financeira que passou a comprometer a prestação dos serviços de saúde.
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Cada unidade da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas – são 144 no país – tem um médico que responde pela operação. Esse profissional se compromete junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM) a manter o atendimento dentro dos rigores do tratamento médico. Caso contrário, ele pode ser responsabilizado em seu CPF.
O pedido de demissão dos médicos responsáveis pelas clínicas é um ponto sensível porque as unidades não podem abrir sem esse profissional. E, no atual momento da companhia, é um desafio encontrar outros médicos que queiram ocupar as vagas.
Ainda de acordo com fontes, o conselho se sensibilizou com a urgência do problema e houve uma compra adicional de medicamentos para esta semana. Ainda assim, o número de pacientes que tiveram seus tratamentos atrasados já chega a 6 mil, ou seja, o dobro da semana passada.
Há uma queixa generalizada. Além dos médicos, pacientes também estão se movimentando. Na teleconferência para analistas e investidores, realizada nesta sexta-feira (10), houve a participação de cerca de 200 pessoas, sendo que a maior parte era pessoa física e pacientes que tentavam fazer questionamentos à direção. Diante dessa alta demanda, a teleconferência não foi aberta para perguntas, disseram fontes.
A Starboard, gestora acostumada a transações de alto estresse, interrompeu as conversas com a OncoclínicasCotação de Oncoclínicas diante dos conflitos entre os acionistas. A ideia da gestora era apresentar proposta semelhante à do ano passado, com aumento de capital e conversão de dívidas, mas desistiu de seguir com a oferta ao ver que um projeto de reestruturação de longo prazo não avançaria, segundo o Valor apurou.
A Mak, que detém 6,3% da companhia, em conjunto com a Lumina Capital, de Daniel Goldberg, apresentou uma proposta de empréstimo de R$ 100 milhões a R$ 150 milhões para aquisição de medicamentos a fim de normalizar os atendimentos, há cerca de duas semanas. No entanto, a gestão da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas ainda não deu retorno, levando à rápida piora do cenário.
O ponto central é que a oferta do empréstimo da Mak Capital está condicionada à renúncia do conselho de administração. O então presidente do colegiado, Marcelo Gasparino, renunciou na última terça-feira (7), levando à saída dos demais membros, mas eles permanecem até a próxima assembleia, agendada para 30 de abril.
A Mak, que é uma gestora americana de “hedge fund”, pede que mais um conselheiro renuncie efetivamente antes dessa data para ter o controle do “board” — o que enfraqueceria a Latache, que tem quase 15% da companhia e tem liderado as negociações.
A Mak Capital está indicando para as duas cadeiras pretendidas Mateus Bandeira (ex-CEO da Oi) e o advogado Ademar Vidal Neto. Seriam mantidos os atuais conselheiros independentes Marcos Grodetzky e Raul Rosenthal.
Passadas duas semanas de sua proposta inicial, a gestora americana intensificou, nesta semana, a pressão sobre o colegiado da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas para que mais um conselheiro deixe a cadeira. “A atual situação financeira da companhia é extremamente crítica, marcada por uma crise de liquidez que impede a aquisição de medicamentos essenciais à continuidade das operações e afeta milhares de pacientes em tratamento oncológico”, destaca trecho de comunicado.
Esse comunicado destaca ainda que os poucos recursos da companhia não podem ser usados para “satisfazer individualmente credores financeiros específicos ou obrigações acessórias não relacionadas à operação, em detrimento da continuidade dos serviços prestados e do atendimento de pacientes. No estado em que a companhia se encontra, eventuais pagamentos realizados nessas condições poderiam caracterizar crime falimentar e poderiam ensejar responsabilidade individual dos administradores”.
A OncoclínicasCotação de Oncoclínicas divulgou seu balanço de 2025. A auditoria Deloitte destacou que há incerteza sobre a continuidade da empresa. A companhia amargou prejuízo de R$ 3,6 bilhões, quantia relevante considerando que sua receita foi de R$ 5,7 bilhões, no acumulado de 2025.
Além disso, a companhia estourou os “covenants”, ao encerrar o ano passado com alavancagem de 4,27 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). O acordo era que esse indicador não fosse superior a 3,5 vezes.
A companhia vem negociando com os credores pedidos de interrupção temporária de cobrança (“standstill”) e renúncia das cláusulas que limitam a alavancagem (“waiver”). No entanto, a OncoclínicasCotação de Oncoclínicas não conseguiu quorum nas assembleias com os detentores de CRIs, que são muito pulverizados.
A Mak Capital não é contra à transação com Porto e Fleury, mas acredita que essa é uma operação de longo prazo, dependendo de aprovações regulatórias, o que pode comprometer ainda mais a operação. Segundo fontes, seguradora e OncoclínicasCotação de Oncoclínicas negociam a extensão dos prazo de exclusividade, que vence no domingo (12).
“É indiscutível que a operação envolve disposição do principal negócio da companhia, e aparentemente corre o risco de não solucionar de forma definitiva os passivos remanescentes, em um contexto de atrasos generalizados e de uma estrutura de capital incompatível com o endividamento da companhia. Tais elementos poderiam indicar que os pressupostos legais da fraude contra credores estariam presentes no caso.”
Procurada pela reportagem, a OncoclínicasCotação de Oncoclínicas informou que não vai se manifestar.
Fonte: Valor Econômico