Por Agências Internacionais
05/02/2024 05h01 Atualizado há 4 horasPresentear matéria
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Os EUA e seus aliados lançaram ontem mais uma onda de ataques contra os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, no Iêmen para tentar garantir as rotas marítimas no Mar Vermelho. Mas Washington e Teerã dão sinais de que buscam evitar um confronto direto. No conjunto separado de ataques contra interesses do Irã e milícias apoiadas pelo país na Síria e no Iraque, nenhum oficial graduado iraniano foi morto até agora.
O presidente americano, Joe Biden, tem afirmado repetidamente que deseja evitar um conflito regional total depois que a eclosão da guerra entre Israel e o Hamas acirrou as hostilidades em toda a região. Mas os ataques dos EUA deste fim de semana sublinharam o delicado equilíbrio que Washington tenta manter enquanto procura usar a dissuasão militar e a diplomacia para conter as hostilidades.
Além da escalada militar de consequências altamente voláteis, um conflito generalizado na região afetaria ainda mais a navegação pelo Mar Vermelho – a mais movimentada rota comercial entre Ásia e Europa. Analistas também temem que, em um quadro de acirramento das hostilidades entre EUA e Irã, os iranianos bloqueiem a passagem pelo Estreito de Ormuz, controlado por Teerã e por onde escoa o petróleo produzido em países do Golfo Pérsico.
“A última coisa que o presidente americano, Joe Biden, quer é ficar preso em um atoleiro no Oriente Médio”, disse Saeid Golkar, especialista em serviços de segurança do Irã na Universidade do Tennessee em Chattanooga. “Por sua parte, lutando contra um inimigo tecnológico mais avançado, o Irã usa uma tática de desgaste para frustrar o inimigo e, quando ele recuar, preencher vácuos de poder na região.”
Os EUA afirmaram que, com o Reino Unido e outros aliados, atingiram 36 alvos houthis, incluindo esconderijos de armas e sistemas de mísseis, em 13 locais no Iêmen no sábado. Esta ofensiva se deu um dia depois de Washington lançar uma série de ataques contra instalações usadas pela elite da Guarda Revolucionária do Irã e pelas milícias apoiadas por Teerã no Iraque e Síria – atingindo 85 alvos em sete instalações no Iraque e na Síria, segundo os americanos.
As consecutivas ofensivas são parte da resposta do governo Biden aos ataques de grupos militantes patrocinados pelo Irã que combatem as forças americanas e os seus interesses na região, depois de três soldados dos EUA terem sido mortos num ataque de drones na fronteira entre a Jordânia e a Síria, no fim de semana passado.
“A mensagem clara é que nós reagiremos quando formos atacados”
— Jake Sullivan
“Essas respostas por parte dos EUA são o começo e não o fim”, disse ontem o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, à rede de TV americana NBC. “Pretendemos realizar ataques e ações adicionais para continuar a enviar uma mensagem clara de que os EUA responderão quando as nossas forças forem atacadas ou pessoas forem mortas. Acreditamos que os ataques tiveram um bom efeito na degradação das capacidades destes grupos de milícias para nos atacar”, afirmou Sullivan.
Numa declaração conjunta, os EUA, o Reino Unido e seis outras nações afirmaram ontem que seu “objetivo continua a diminuir as tensões e restaurar a estabilidade no Mar Vermelho”. “Reiteramos o nosso aviso aos líderes houthis: não hesitaremos em continuar a defender vidas e o livre fluxo do comércio numa das vias navegáveis mais críticas do mundo face às ameaças contínuas”, acrescentou o comunicado.
Um porta-voz militar houthi disse, também ontem que o grupo rebelde não será dissuadido, acrescentando que os ataques ao Iêmen “não passarão sem resposta e consequências”.
Militantes alinhados ao Irã lançaram mais de 160 ataques com foguetes e drones contra as tropas dos EUA no Iraque e na Síria desde meados de outubro. Há cerca de 2.500 soldados dos EUA no Iraque e cerca de 900 na Síria. Os houthis, por seu lado, também organizaram dezenas de ataques contra navios mercantes no Mar Vermelho e no Golfo de Áden.
Na sexta-feira, as forças lideradas pelos EUA lançaram o seu maior ataque dos últimos três meses – e o primeiro a atingir instalações ligadas à poderosa Guarda Revolucionária do Irã – em resposta à morte dos três soldados americanos.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã disse ontem que a onda de ataques dos EUA no fim de semana “contribui para o caos, a insegurança e a instabilidade”. Teerã reiterou que não quer um conflito direto com os EUA e Israel, ou uma guerra regional.
O regime iraniano insiste que os grupos militantes que apoia têm atuado de forma independente, mas também elogia e incentiva as suas ações, ao mesmo tempo que castiga Israel e os EUA. Além de não relatar nenhuma vítima iraniana nos ataques dos EUA, Teerão não fez nenhuma ameaça direta de resposta.
“A política estratégica do Irã não tem sido a de buscar uma guerra com os EUA e definitivamente isso não mudou [com os últimos ataques]”, disse Mohammad Ali Abtahi, ex-vice-presidente reformista iraniano.
Os EUA lançaram os primeiros ataques a alvos houthis em 11 de janeiro, mas o grupo rebelde não deu sinais de que isso tivesse abalado sua capacidade de ataques à navegação comercial na área e às embarcações navais dos EUA.
Tanto os houthis como os militantes no Iraque e na Síria fazem parte do chamado “Eixo de Resistência” do Irã. Eles afirmam que os seus ataques são uma resposta à ofensiva de Israel contra o Hamas em Gaza, que já matou mais de 27 mil pessoas, segundo autoridades palestinas.
O Hezbollah, o movimento libanês que é o representante mais poderoso do Irã, também tem trocado tiros quase diários com as forças israelenses através da fronteira norte de Israel, por medo de que esses confrontos possam evoluir para um conflito total.
Fonte: Valor Econômico

