Por Humeyra Pamuk, Matt Spetalnick e Dave Graham — Reuters, de Los Angeles
09/06/2022 05h01 Atualizado há 4 horas
Os EUA estão propondo uma nova parceira econômica com os países da América Latina para se contrapor à crescente influência da China na região. O presidente Joe Biden trataria das linhas gerais dessa parceria na noite de ontem, no discurso de abertura da Cúpula das Américas, em Los Angeles. Mas a proposta, ainda vaga, não incluiria mais acesso ao mercado americano, e seus detalhes seriam negociados nos próximos meses.
Segundo um funcionário da Casa Branca, Biden está oferecendo aos vizinhos latino-americanos uma alternativa de engajamento maior dos EUA, que inclui investimentos, fortalecimento de cadeias de suprimentos e uma evolução dos acordos comerciais existentes.
Mas a “Parceria das Américas para a Prosperidade Econômica” de Biden, que ainda parece ser um trabalho em desenvolvimento, não oferece reduções de tarifas, e, segundo essa fonte, focará inicialmente em “parceiros com posições políticas parecidas” que já tenham acordos comerciais com os EUA. E o início das negociações deve ocorrer só a partir do fim de setembro.
Biden detalharia seu plano na abertura da Cúpula das Américas, que foi concebida originalmente para demonstrar a liderança dos EUA na retomada de economias latino-americanas e no enfrentamento das pressões migratórias.
O plano abrangeria uma agenda de recuperação econômica pós-pandemia, que inclui a mobilização de investimentos na região, tornando as cadeias de suprimentos mais resilientes e pressionando por mais empregos de energia limpa e relações comerciais mais inclusivas entre os países, segundo um alto funcionário da Casa Branca. Ele também anunciaria mais de US$ 300 milhões em assistência para enfrentar a insegurança alimentar na região e propostas de mudanças ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Autoridades dos EUA esperam que o evento com os chefes de Estado e uma reunião paralela de importantes CEOs possam abrir caminho para uma maior cooperação econômica na região, à medida que os países trabalham, em meio à alta na inflação, para aproximar as cadeias de suprimentos.
“É muito melhor para nós… ter uma cadeia de suprimentos aqui nas Américas do que depender de uma cadeia de suprimentos que vem da China”, disse o embaixador dos EUA no México, Ken Salazar, durante a cúpula.
Washington, que já tem um acordo conjunto com o Canadá e o México, um outro coletivo com países da América Central, e uma série de pactos bilaterais na região, tentará ainda desenvolver novos padrões para áreas alfandegária, de comércio digital, e de responsabilidade ambiental e corporativa, de acordo com essa autoridade.
O governo Biden classificou a Cúpula das Américas como uma oportunidade para os EUA reafirmarem seu compromisso com a América Latina após anos de negligência comparativa sob seu antecessor republicano, Donald Trump. Mas a decisão de Washington de não convidar Cuba, Venezuela e Nicarágua, por seu histórico em direitos humanos e democracia, resultou em baixas, como a do presidente do México. Ainda assim, estarão presentes líderes de mais de 20 países da região, inclusive do Canadá, Brasil e Argentina, segundo os organizadores do evento. (Com Dow Jones)
Fonte: Valor Econômico