Os Estados Unidos e Irã sinalizaram nesta quarta-feira (6) avanços nas conversas para um possível acordo que encerre a guerra no Oriente Médio, apesar de declarações contraditórias de autoridades dos dois países ao longo do dia e de novas ameaças feitas pelo presidente Donald Trump.
No início do dia, o site Axios noticiou que a Casa Branca acreditava estar perto de um memorando de uma página para encerrar a guerra e estabelecer uma estrutura para negociações nucleares mais detalhadas. Segundo a reportagem, os EUA esperam respostas iranianas sobre vários pontos-chave nas próximas 48 horas.
Entre outras disposições, o acordo envolveria o compromisso do Irã com uma moratória no enriquecimento nuclear, o acordo dos EUA em suspender as sanções e liberar bilhões em fundos iranianos congelados, e ambas as partes suspenderem as restrições ao trânsito pelo Estreito de Ormuz, segundo a Axios.
O memorando de entendimento de uma página e 14 pontos estaria sendo negociado entre os enviados dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, e vários funcionários iranianos, tanto diretamente quanto por meio de mediadores, informou o site.
As informações alimentaram expectativas de uma desescalada do conflito, que nas últimas semanas provocou forte turbulência nos mercados globais e pressionou os preços da energia. Nesta quarta-feira, o petróleo chegou despencar para mínima em duas semanas, com os contratos futuros do Brent, referência internacional, caindo cerca de 11% no início do dia, para aproximadamente US$ 98,05 por barril. Ao longo da sessão, porém, parte das perdas foi recuperada, e o Brent encerrou o dia em queda de 7,82%, cotado a US$ 101,27 por barril.
Apesar disso, o porta-voz do comitê parlamentar de segurança nacional do Irã, Ebrahim Rezaei, afirmou que a proposta americana era “mais uma lista de desejos americanos do que uma realidade”. “Os americanos não ganharão nada em uma guerra que estão perdendo que não tenham conquistado em negociações diretas”, escreveu ele nas redes sociais.
Ao mesmo tempo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que Teerã estava analisando um plano, sem detalhar qual, e que apresentaria sua resposta ao Paquistão, que atua como mediador entre os dois países. A expectativa é que o Irã envie um posicionamento oficial nos próximos dias.
Trump, por sua vez, alternou sinais de otimismo e ameaças. Em publicação na rede Truth Social, afirmou que encerraria a guerra e garantiria passagem segura pelo Estreito de Ormuz caso o Irã “concorde em dar o que foi acordado”. Sem detalhar os termos, o presidente voltou a ameaçar Teerã: “Se eles não concordarem, os bombardeios começam, e serão, infelizmente, em um nível e intensidade muito maiores do que antes”.
Horas depois, em declarações no Salão Oval, Trump afirmou que os EUA haviam “vencido” a guerra e disse que as conversas com o Irã nas últimas 24 horas haviam sido “muito boas”. “Eles querem fechar um acordo”, disse o presidente. “Tivemos conversas muito boas nas últimas 24 horas e é bem possível que cheguemos a um acordo”
As mensagens contraditórias vieram um dia depois de Trump interromper abruptamente uma operação militar dos EUA destinada a escoltar navios comerciais pelo Estreito de Ormuz. Os dois lados permanecem em desacordo sobre uma série de questões complexas, como as ambições nucleares do Irã e seu controle sobre o estreito.
Enquanto isso, as forças armadas dos EUA mantiveram o bloqueio a navios iranianos na região. O Comando Central dos EUA informou que suas forças dispararam contra um petroleiro de bandeira iraniana, inutilizando a embarcação enquanto ela tentava navegar em direção a um porto iraniano, em violação ao bloqueio.
Israel também realizou um ataque aéreo nos subúrbios do sul de Beirute, o primeiro ataque desse tipo na capital libanesa desde que o cessar-fogo entre Israel e Líbano entrou em vigor no mês passado. Israel afirmou que o alvo era um comandante da força de elite Radwan, do Hezbollah. A mídia israelense informou que o comandante foi morto no ataque.
O primeiro-ministro libanês Nawaf Salam afirmou nesta quarta-feira que é prematuro falar em qualquer reunião de alto nível entre Líbano e Israel para negociações de paz.
Fonte: Valor Econômico
