O tratamento, para doenças neurodegenerativas, está em fase de desenvolvimento por laboratório japonês.
- O Estado de S. Paulo.
- 29 Sep 2022
A empresa farmacêutica japonesa Eisai anunciou ontem que a fase final do estudo com uma droga experimental para tratar Alzheimer deu resultados positivos para retardar o agravamento da doença. Segundo esses dados preliminares, houve redução de 27% no agravamento dos casos.
Os resultados vieram do ensaio clínico, a terceira e última fase da análise sobre o lecanemab, um novo tratamento para doenças neurodegenerativas que vem sendo investigado em parceria com a farmacêutica americana Biogen. Os dados ainda não foram revisados por pesquisadores externos nem publicados em revistas científicas. O ensaio clínico começou em março de 2019 e envolveu 1.795 pessoas de Japão, Estados Unidos e Europa com deficiência cognitiva (demência) ou Alzheimer leve em estágio inicial com anormalidades confirmadas de beta-amiloide (uma proteína ligada ao desenvolvimento da doença).
O ENSAIO. Os pacientes foram divididos em dois grupos. Enquanto um recebeu o medicamento uma vez a cada duas semanas durante 18 meses, o outro grupo recebeu placebo, para investigar mudanças em funções cognitivas. Após um ano e meio, o grupo tratado com lecanemab apresentou redução de 27% no agravamento de sintomas em comparação com aquele que recebera placebo.
Após seis meses “o tratamento mostrou mudanças estatisticamente significativas” no evolução cognitiva, conforme o estudo. Outro teste com 111 pacientes na China já se encontra em andamento.
A Eisai prevê ampliar as conclusões de seu estudo no Congresso de Ensaios Clínicos sobre Alzheimer que será realizado nos Estados Unidos a partir de 29 de novembro. Ali analisará suas conclusões com as autoridades reguladoras para requisitar, antes de março, a aprovação do medicamento em EUA, Japão e Europa. “Uma desaceleração de 27% na deterioração parece um efeito modesto, mas para pacientes com Alzheimer pode ser muito significativo”, disse Gil Rabinovici, neurologista da Universidade da Califórnia em São Francisco (EUA) ao jornal The Washington Post.
O estudo do Lecanemab, chamado Clarity AD, foi “concluído conforme o protocolo” e mostra que “reduzir a amiloide neste estágio pode se traduzir em uma desaceleração do declínio clínico”, afirma Rabinovici. “Este é o primeiro remédio que demonstrou não apenas limpar o acúmulo da proteína amiloide no cérebro, mas também ter impacto pequeno, mas estatisticamente significativo, no declínio cognitivo em pessoas com Alzheimer em estágio inicial”, disse
Susan Kohlhaas da Alzheimer’s UK, uma organização com sede no Reino Unido, especializada em estudos sobre a demência.
SINTOMAS. A doença normalmente começa de forma sorrateira e atinge mais os idosos a partir de 65 anos. Parte dos cientistas acredita que o Alzheimer começa a se desenvolver cerca de 15 anos antes dos primeiros sintomas de perda de memória. Os lapsos têm início com dificuldades de formar novas memórias. É comum esquecer onde deixou as chaves ou qual o número do prédio onde mora (veja quadro no alto desta página).
Como o Estadão já mostrou, pesquisadores têm ampliado suas hipóteses para descobrir quem é o principal causador da perda de memória e da capacidade de fazer tarefas cotidianas. Estão na mira da ciência novos suspeitos: acredita-se que a neuroinflamação, falhas na conexão entre um neurônio e outro e até defeitos no trabalho de eliminar o “lixo” do cérebro podem estar por trás do Alzheimer.l
COM THE NEW YORK TIMES, AFP e EFE
Fonte: O Estado de S. Paulo