Por Rafael Vazquez, Valor — São Paulo
10/02/2023 21h04 Atualizado há 22 horas
Um manifesto encabeçado por economistas heterodoxos defende a ideia, lançada a debate público pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de que a taxa de juros no Brasil, em 13,75%, está em nível acima do necessário. O documento conta com as assinaturas de nomes como o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira, o economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo, e o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho.
As economistas Leda Paulani e Monica De Bolle reforçam o texto, assim como Nelson Marconi, professor da FGV e coordenador do programa de governo de Ciro Gomes em suas candidaturas à Presidência, em 2018 e 2022. Antonio Correa de Lacerda, Clélio Campolina, Paulo Nogueira Batista Jr. e Lena Lavinas são outros nomes que aparecem com destaques.
O manifesto, publicado como abaixo-assinado no site Change.org, foi assinado por 643 pessoas até as 20h desta sexta-feira (10). O conteúdo argumenta que a “superação dos desafios brasileiros só pode ser alcançada com uma nova política econômica”, e que a “razoabilidade da taxa de juros é uma condição indispensável”.
De acordo com esses economistas, “os investimentos perderão para as aplicações financeiras e as remunerações do trabalho e da produção vão perder para a especulação”, caso a taxa de juros não seja reduzida rapidamente.
“A taxa de juros no Brasil tem sido mantida exageradamente elevada pelo Banco Central e está hoje em níveis inaceitáveis. O discurso oficial em sua defesa não encontra nenhuma justificativa seja no cenário internacional ou na teoria econômica e o debate precisa ser arejado pela experiência internacional”, diz o texto.
“Os economistas signatários deste manifesto declaram publicamente o apoio a uma política que seja capaz de reduzir substancialmente a taxa de juros, propiciando as condições para a retomada do desenvolvimento com estabilidade sustentável”, conclui o documento.
O Banco Central passou a ser criticado mais fortemente pelo presidente Lula e seus aliados depois que manteve a taxa de juros inalterada na última decisão de política monetária, no início deste mês, e sinalizou que não pretende fazer cortes tão cedo.
Os ataques viraram objeto de debate, com economistas de escolas de pensamento diferentes divergindo sobre o assunto.
Fonte: Valor Econômico