A queda do dólar frente ao real foi além das projeções mais otimistas para 2026 e atingiu o patamar abaixo de R$ 5 desde segunda-feira (14), nível que não visto há mais de dois anos. A moeda brasileira mostrou força frente a um cenário de muita incerteza global. Quando a maioria das moedas emergentes caíam, o real caiu menos. E quando avançaram, ele foi um dos que mais se valorizou.
Economistas de casas importantes, como XP, Banco do Brasil, Itaú e Warren atualizaram suas projeções e preveem um dólar mais baixo do que imaginavam no início do ano. Mas, ainda assim, o valor atual é bem inferior às mais baixas das projeções. Trocando em miúdos, quem pretende comprar dólar este ano está à frente de uma oportunidade que não deve durar, na avaliação da maioria dos analistas. O problema é que, quando o assunto é câmbio, prever o futuro é tarefa quase impossível.
No ano passado, os analistas do mercado projetaram, em janeiro, uma taxa de câmbio de R$ 6, na mediana consolidada no Boletim Focus, do Banco Central (BC). Na virada do ano novo de 2025 para 2026, porém, a moeda estava em R$ 5,50. Ou seja, a margem de erro foi de nada menos que 8,33%.
Os dados mais recentes do boletim do BC prevêem que o dólar fique em R$ 5,35 até o fim do ano. No início do ano, a previsão era de R$ 5,40. Se a margem de erro for a mesma, e para baixo, teríamos um câmbio efetivo então de R$ 4,90.
Apesar da ressalva, o consenso dos analistas é que o dólar está exageradamente baixo. Luis Felipe Vital e Cecília Mazzoni, economistas da Warren, prevêem o menor valor para o dólar entre as instituições ouvidas pela reportagem, de R$ 5,07 (ante R$ 5,14 anteriormente). De acordo com os analistas, os dados recentes mostram a maior disparidade entre o modelo e a realidade desde dezembro de 2025. A moeda brasileira está extremamente sensível ao diferencial de juros entre Estados Unidos e Brasil. Apesar da tendência de enfraquecimento global, o desvio indica que o atual patamar não deve ser sustentável.
No caso da XP, a projeção foi atualizada para R$ 5,30 ao final do ano, ante R$ 5,60 anteriormente. Na média anual, o dólar deve ficar em R$ 5,20. A casa afirma que o Brasil é um “vencedor líquido” em cenário de alta nos preços do petróleo bruto (como consequência da guerra no Irã), ao mesmo tempo em que também se beneficia da rotação de fluxos globais para merrcados emergente (que acontecia antes, e deve continuar depois, da guerra). Por isso, a moeda brasileira deve se sustentar em patamares elevados.
Até o segundo semestre. Nele, o período de incertezas eleitorais levará a um aumento do prêmio de risco sobre a taxa de câmbio no segundo, escreveram os analistas da XP.
No caso do Itaú, a mudança de projeção foi mais comedida, de R$ 5,50 para R$ 5,40, ao final de 2026. O cenário externo de maior apetite por ativos de risco tem beneficiado a moeda brasileira, escrevem os analistas, mas o aumento esperado do prêmio de risco, típico de períodos eleitorais, ainda limita um cenário de apreciação mais significativa.
O Banco do Brasil projeta o câmbio em R$ 5,20, ante R$ 5,50 anteriormente. O Bradesco projeta R$ 5,35.
Fonte: Valor Investe
