A tensão geopolítica global deve ser a protagonista do cenário para o private equity em 2026, capaz de travar janelas de saída e prolongar o tempo de retorno do investimento, avalia a gestora de investimentos alternativos HMC Capital.
Em relatório sobre alocações para o ano, a casa mantém estratégias de buyout e growth/venture em um “neutro seletivo” e eleva para overweight os investimentos secundários e coinvestimentos. A lógica é que esse tipo de estratégia, quando um fundo vende a posição para outro ou até a carteira inteira e quando um grande investidor institucional aplica com um “bolso lateral” na empresa, seria mais defensiva – tendendo a oferecer melhor combinação de retorno e liquidez em um ciclo ainda marcado por saídas mais lentas.
“Uma grande questão para os investidores é se os preços do private equity hoje são razoáveis ou simplesmente altos demais”, avalia a casa. “O mercado privado ainda é precificado abaixo do mercado aberto, mas a diferença está menor do que o normal, outro sinal de que os valuations estão do lado mais caro.”
Projeções do Goldman Sachs estimam que as empresas podem precisar fazer o Ebitda crescer entre 10% e 15% ao ano – acima das médias históricas – para atingir as metas tradicionais de retorno do private equity. “Quando os preços estão nesse patamar, os retornos futuros precisam vir mais do crescimento real do Ebitda do que da alta dos múltiplos.”
A gestora acredita que a diferença entre gestores bons e medianos tende a ficar mais exposta, recomendando que 2026 seja tratado como um ponto de inflexão para revisar o risco do portfólio e, em especial, a exposição geográfica dos investimentos.
“Os limited partners (LPs) devem se preparar para um ambiente de captação competitivo. As chamadas de capital e as distribuições ainda podem atrasar, então ajuste o ritmo de aportes de acordo. Também vale revisar a exposição geográfica: 2026 pode ser um bom momento para rebalancear a carteira em direção a uma alocação mais diversificada globalmente”, recomenda a gestora global sem, no entanto, destacar situações específicas de países.
Em 2025, as saídas finalmente voltaram a superar a tendência histórica – pela primeira vez desde 2022, segundo a HMC – com IPOs ganhando tração no fim do ano, aceleração de vendas via M&A e aumento de transações sponsor-to-sponsor. Ainda não é suficiente para aliviar a pressão sobre os gestores, que enfrentam períodos de carregamento mais longos e um ritmo de distribuição mais lento, em meio à crescente obsessão dos investidores por liquidez.
“O futuro não será fácil. As taxas de juros estão bem mais altas do que nos anos 2010, o crescimento global está perdendo fôlego e as tensões entre países seguem elevadas”, concluem os analistas.
Fonte: Valor Econômico