Os esforços do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para remodelar o Federal Reserve (Fed) “ganharam força significativa” e, em última instância, podem abrir caminho para uma reconfiguração total, que inclua até mesmo a remoção de todos os 12 presidentes regionais. É o que aponta o economista-chefe para EUA do J.P. Morgan, Michael Feroli, em um tom preocupado após o anúncio de Trump da destituição da diretora Lisa Cook.
Na avaliação de Feroli, caso Trump tenha êxito em demitir Cook, isso criaria uma segunda vaga no comitê de diretores em menos de um mês e permitiria ao presidente configurar uma diretoria que fique de acordo com suas preferências. “No entanto, não está claro se ele terá sucesso em remover Cook”, enfatiza o economista.
Em nota enviada a clientes, Feroli observa que uma decisão mais recente da Suprema Corte ampliou o poder do Executivo para destituir dirigentes de agências independentes, mas estabeleceu uma exceção para o Fed, incluindo o presidente e diretores. “Além disso, a suposta fraude hipotecária teria ocorrido antes de Cook se tornar diretora, e a alegação por ‘justa causa’ costuma ser entendida como limitada a fatos ocorridos durante o exercício do cargo (embora haja pouca jurisprudência sobre destituições por justa causa).”
Caso Trump consiga demitir Cook, Feroli avalia que será um desfecho “marcante”. “Todo o quadro de 12 presidentes regionais do Fed tem seus mandatos certificados a cada cinco anos pelo comitê de diretores (“board”), em fevereiro de anos que terminam em 1 ou 6 (isto é, no próximo mês de fevereiro). Isso significa que, se os dois dissidentes mais recentes se aliarem a quem vier a ocupar as duas novas vagas, poderiam destituir todos os 12 presidentes, remodelando de forma drástica o Fed”, alerta o economista do J.P. Morgan.
“Talvez o resultado mais relevante de uma eventual remoção de Cook seja o fato de que outros diretores também poderiam ficar sujeitos a destituição. Isso acrescentaria riscos de alta para a inflação”, diz o economista.
Fonte: Valor Econômico