O déficit orçamentário dos Estados Unidos deve aumentar este ano em 27%, para quase US$ 2 trilhões, à medida que os novos financiamentos para Ucrânia e Israel têm previsão de aumentar os gastos federais para níveis muito superiores aos previstos em fevereiro. As informações constam da nova previsão do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês), divulgada nessa terça-feira (18).
Segundo o CBO, que atua como uma entidade não partidária para fornecer dados econômicos e orçamentários aos políticos americanos, o déficit chegará a US$ 1,92 trilhão em 2024, ante US$ 1,69 trilhão em 2023. A nova estimativa é quase US$ 400 bilhões maior do que a de US$ 1,5 trilhões prevista em fevereiro.
A principal razão para o aumento foi o projeto de lei aprovado no Congresso que prevê US$ 95 bilhões para a Ucrânia, Israel e países da região do Indo-Pacífico. Nos próximos 10 anos, espera-se que essa legislação adicione um total de US$ 900 bilhões aos gastos do governo.
Em relação ao PIB, o déficit dos EUA agora é visto aumentando, e não diminuindo, para o ano fiscal de 2024, que vai até setembro. A proporção é estimada em 6,7%, em comparação com a previsão de fevereiro de 5,3% e os 6,3% registrados em 2023.
O CBO também estima um crescimento mais rápido e uma inflação mais alta para este ano, com o Federal Reserve (Fed) adiando a redução das taxas de juros até o primeiro trimestre de 2025, em comparação com o cronograma de meados de 2024 que o CBO havia previsto em fevereiro.
“Cada legislador — e candidato presidencial — deveria estar oferecendo soluções e se comprometendo a não contrair novos empréstimos, exceto para emergências reais”, disse Maya MacGuineas, presidente do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, antes da divulgação do novos dados, segundo a “Bloomberg”.
O CBO também justificou o aumento do déficit pelo alívio de empréstimos estudantis do presidente Joe Biden, que adicionaram US$ 145 bilhões, e uma redução de US$ 70 bilhões no valor estimado que a Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC, o fundo garantidor de créditos americano) irá recuperar dos pagamentos feitos para cobrir falências bancárias em 2023 e 2024.
Os déficits excessivos dos EUA também ocorrem apesar de uma aceleração na imigração que ajudou a aumentar o crescimento e as receitas. Essa dinâmica reduz os déficits totais em cerca de US$ 900 bilhões ao longo de uma década.
Fonte: Valor Econômico
