Por Rafael Vazquez e Larissa Garcia — De São Paulo e Brasília
18/04/2023 05h01 Atualizado há 5 horas
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) caiu 0,04% em janeiro, na comparação dessazonalizada com dezembro, segundo divulgou ontem a autoridade monetária. O resultado veio melhor estimativas colhidas pelo Valor Data, que apontava queda de 0,10%. Além disso, em relação ao mesmo período do ano passado, houve alta de 3,03%. Economistas ouvidos pelo Valor, porém, seguem vendo a economia em desaceleração após analisar o indicador, que é considerado como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB).
De acordo com economistas do Banco Original, a leve queda de 0,04% do IBC-Br em janeiro foi influenciada pelo declínio no setor de serviços no período, além da estabilidade na produção industrial e no varejo. “Como foi observado nos dados de janeiro, o setor de transportes acabou impactando negativamente e de forma significativa todas as áreas da atividade econômica”, observam em relatório o economista-chefe do Banco Original, Marco Caruso, e o economista Igor Cadilhac.
Para o economista da Rio Bravo Investimento Luca Mercadante, apesar do resultado melhor do que o esperado do IBC-Br em janeiro, o índice “não altera o cenário estabelecido de uma desaceleração lenta da economia brasileira”.
Ele ressalta que, nas últimas seis divulgações do indicador, em cinco houve quedas mensais e a variação ano contra ano também segue em trajetória de desaceleração. “Cada vez mais os efeitos da política monetária [alta de juros pelo BC] são sentidos pela economia, e só não são mais fortes por um bom desempenho recente do setor agrícola e da resiliência do mercado de trabalho.”
Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, também diz que a tendência de desaceleração está mantida. “É o primeiro dado abrangente de atividade que nós temos de 2023 e mostra uma apatia do nível de atividade nacional, uma certa estagnação, incapacidade de crescimento no primeiro mês do ano”, afirma.
Ela comenta que, devido a uma mudança metodológica em dados do IBGE usados pelo Banco Central para o IBC-Br, o indicador demorou mais para ser divulgado e há uma certa defasagem, já que o resultado de janeiro foi divulgado somente em abril. “Na próxima semana devemos ter os dados de fevereiro para fazer uma análise mais robusta”, destaca.
Contudo, não há expectativas de que a rota traçada até o momento para a atividade econômica em 2023 seja alterada. “Reforça a desaceleração da atividade econômica observada nos últimos meses. A queda nos índices de confiança, aliado a desaceleração do mercado de trabalho, aumento do endividamento e manutenção da taxa de juros em patamar elevado, vem impactando negativamente a economia brasileira”, vê o economista do Banco Modal Rafael Rondinelli.
Olhando adiante, Rondinelli aponta que o melhor desempenho da agricultura aliado a maiores transferências de renda em função da expansão fiscal planejada pelo governo deve prover algum fôlego para a atividade econômica, com desaceleração gradual ao longo do ano.
No Santander, a equipe econômica mantém a previsão de crescimento de 0,5% para o encerramento do primeiro trimestre, com impacto positivo da produção agrícola e crescimento do PIB de 0,8% no fim de 2023. “Projetamos desaceleração da demanda doméstica e dos componentes cíclicos da oferta, decorrentes principalmente da esperada recessão global e dos efeitos de uma política restritiva do Banco Central, mas também esperamos forte crescimento para a produção agrícola, refletindo uma previsão de alta histórica para a safra de grãos”, escreveu em relatório o economista Gabriel Couto.
Fonte: Valor Econômico