Menina de dois anos recebe atendimento no Hospital Infantil Sabará; desde fevereiro, ocupação de leitos de enfermaria e terapia intensiva está acima de 90% na unidade. Até 2019, o pico de ocupação e procura de pronto-socorro ocorria entre abril e maio.
- O Estado de S. Paulo.
- 21 Jun 2023
- LEON FERRARI CAIO POSSATI
A temporada de doenças respiratórias entre crianças se alongou na capital paulista. Na segunda quinzena de junho, quando os casos tradicionalmente começam a cair, alguns hospitais continuam a operar com ocupações de leitos pediátricos acima dos 90%. Crianças de até 2 anos, com sistema imunológico mais frágil, lideram as internações.
Marcelo Gomes, pesquisador do InfoGripe da Fiocruz, destaca que casos de vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças, que desde fevereiro puxavam para cima as internações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) na capital, já apresentam tendência de queda, mas estão em níveis elevados. O cenário, porém, pode mudar com a chegada do frio e a circulação do vírus influenza. Gomes diz que, no cenário nacional, há “tendência de reversão”, com os casos de internação por SRAG passando a cair. O indicador é puxado pelo Centro-Sul do País, enquanto Norte e Nordeste ainda enfrentam aumento.
BEBÊS. Gomes destaca que o VSR foi o grande responsável pelas internações. “É um vírus que circula em todas as faixas etárias, só que acaba tendo um impacto maior nas crianças pequenas.” Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o VSR responde por 80% dos casos de bronquiolite e 50% dos diagnósticos de pneumonia em menores de 2 anos.
Só na capital paulista, conforme dados da Fiocruz, a média móvel de internações de crianças com menos de 2 anos por SRAG está em 104 (na semana de 28/05 a 03/06). O ano iniciou com média de 68 novos casos por semana e teve o pico entre 7 e 13 de maio (138).
Desde os 7 meses de idade, Isabella Fernandes de Almeida, de 2 anos e 6 meses, já passou por cinco internações com complicações respiratórias. Duas só neste ano, segundo a mãe, a executiva de contas Débora Fernandes Pinho. Em uma delas, chegou a ficar 15 dias na UTI. “O emocional abala muito, mesmo sabendo que ela tem essa facilidade em desenvolver (quadros respiratórios)”, diz a mãe. Segundo ela, Isabella nasceu com um estreitamento na parte do tórax.
OCUPAÇÃO. O infectologista Francisco de Oliveira Junior, gerente-médico do Hospital Infantil Sabará, relata ocupação de leitos de enfermaria e terapia intensiva (UTI) acima de 90% desde fevereiro. Em momentos “confortáveis”, essa taxa fica entre 80% e 85%.
“Até 2019, o pico de ocupação e de procura de pronto-socorro ocorria entre os meses de abril e maio. A partir do final de maio e início de junho, começávamos a ver uma queda. Já passamos da metade do mês de junho e ainda não observamos essa redução.”
Na rede pública estadual, conforme a Secretaria de Saúde, a taxa média de ocupação pediátrica é de 79,3% para hospitais de administração direta e de 85,47%, nos geridos por Organizações Sociais de Saúde (OSS), no mês de abril. No primeiro mês do ano, as mesmas taxas eram de 71,1% e 74,21%, respectivamente.
A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informa que, nesta terça-feira a taxa de ocupação de UTI pediátricos na rede municipal era de 76%, sendo 46% por questões respiratórias. Em maio, a taxa de ocupação geral de UTI pediátrica foi de 80,76% e, de leitos de enfermaria, 77,21%. Em abril, a taxa de ocupação de leitos de UTI pediátricos ficou em 80,52% e, de enfermaria, em 77,94%. •
Fonte: O Estado de S. Paulo