Por Grant Smith, Bloomberg
13/10/2022 11h18 Atualizado há 22 horas
A decisão da Organização dos Países Exportadores e seus aliados (Opep+) de reduzir drasticamente a produção de petróleo ameaça empurrar os preços para níveis que levarão a economia global a uma recessão, alertou nesta quinta-feira a Agência Internacional de Energia (AIE).
“O corte maciço no fornecimento de petróleo da Opep+ aumenta os riscos de segurança energética em todo o mundo, resultando em níveis mais altos de preços que vão exacerbar a volatilidade do mercado”, disse a AIE em um relatório mensal. “Os preços do petróleo podem ser o ponto de inflexão para uma economia global já à beira da recessão.”
Este foi um recado extraordinariamente forte da agência com sede em Paris, que aconselha a maioria das principais economias sobre política energética. A AIE reduziu as previsões de crescimento da demanda global de petróleo para o próximo ano em 470 mil barris por dia por causa de “ventos contrários” que afetam a economia global, como inflação e taxas de juros mais altas.
Os contratos futuros do petróleo subiram na semana passada, quando a Arábia Saudita e seus parceiros de Opep anunciaram um corte substancial na produção de 2 milhões de barris por dia, ignorando os pedidos de países consumidores como os Estados Unidos. Desde então, as cotações caíram um pouco, mas permanecem acima de US$ 90 o barril em Londres.
O presidente americano, Joe Biden, fez duras críticas à decisão de Riad, acusando a Arábia Saudita de ajudar a Rússia, uma das principais produtoras globais de petróleo, em meio à guerra contra a Ucrânia. Ele afirmou que reavaliaria o relacionamento diplomático de décadas dos EUA com os sauditas.
A AIE afirmou que a decisão da Opep+ “reduzirá drasticamente um aumento muito necessário nos estoques de petróleo durante o resto deste ano e no primeiro semestre de 2023”. Segundo a entidade, os estoques nos países desenvolvidos – de cerca de 243 milhões de barris – estão abaixo da média dos últimos cinco anos.
A Arábia Saudita e outros membros da Opep+ responderam que o corte na produção era necessário diante da extrema incerteza econômica. O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou na última terça-feira que o pior da atual turbulência “ainda está por vir”.
O consumo global de petróleo deve aumentar em 1,7 milhão de barris por dia em 2023, segundo a AIE, abaixo da previsão de 2,1 milhões de barris do último relatório divulgado no mês passado. Neste ano, a demanda aumentará em 1,9 milhão de barris por dia, para uma média de 99,6 milhões de barris por dia.
Segundo a AIE, a Opep+ devem implementar apenas metade do corte anunciado porque a produção na maioria dos países-membros do cartel já está muito abaixo das metas atribuídas
Ainda assim, a oferta global pode sofrer um novo impacto nos próximos meses, à medida que a União Europeia (UE) implementa uma proibição às importações do petróleo da Rússia, alertou a AIE. As exportações de petróleo do país foram reduzidas em 230 mil barris por dia, para 7,5 milhões por dia, em setembro, segundo estimativas da entidade.
Fonte: Valor Econômico