Por Valor — São Paulo
21/12/2022 09h40 Atualizado há uma hora
O Congresso do Peru aprovou a antecipação das eleições gerais do país para abril de 2024 e a redução dos mandatos parlamentares e presidenciais. A medida era defendida pela presidente Dina Boluarte, que assumiu o cargo depois do impeachment do ex-presidente Pedro Castillo.
A proposta foi aprovada por 93 votos a favor e 30 contra e deve passar por um segundo turno para então ser enviada para a presidência e ser ratificada.
O Congresso tentou aprovar a proposta na última sexta-feira, mas sem sucesso. O resultado da votação apenas aumentou os protestos que ocorrem em todo o país após a prisão de Castillo, preso por tentativa de golpe de Estado, e motivou parlamentares a tentar novamente o adiantamento. A proposta anterior previa novas eleições em dezembro de 2023.
No projeto aprovado em 1º turno, a votação deve acontecer em abril de 2024 e a posse dos eleitos no dia 28 de julho do mesmo ano. Inicialmente as novas eleições gerais estavam marcadas para acontecer apenas em 2026.
Perdas de vidas e prejuízos aumentam em meio à crise no Peru
As perdas de vidas e os prejuízos para a economia do Peru se multiplicaram nos últimos dias, na sequência da crise política aberta dia 7, com a tentativa de golpe de Estado do presidente Pedro Castillo, destituído pelo Congresso no mesmo dia.
Nesta segunda-feira (19), o número de mortos nos protestos, principalmente no sul e centro-sul no país, aumentaram para 26, quase o quádruplo das 7 mortes registradas na quinta-feira (15).
Segundo testemunhas, a repressão aos manifestantes se intensificou no meio da semana passada, depois que Dina Boluarte, nova presidente do país e ex-vice de Castillo, decretou estado de emergência nacional e toque de recolher nas regiões mais conflagradas.
Impacto no PIB
De acordo com a Câmara de Comércio de Lima (CCL), a paralisação das atividades econômicas em razão dos protestos pode reduzir em até 0,2 ponto percentual o crescimento peruano em 2022. “Há 14 regiões em conflito [do total de 23 regiões peruanas], que são responsáveis por 36% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional”, estimou o Instituto de Economia e Desenvolvimento Empresarial da CCL, Oscar Chávez.
“Isso inclui 61,1% do PIB dos setores de mineração, petrolífero, agropecuário e de pesca, além de 33,7% do PIB secundário, ou de transformação, incluindo indústria, eletricidade e construção”, explicou Chávez. As regiões do sul e do centro-sul também são responsáveis por grande parte do PIB de turismo, comércio e serviços — 27,7% — do país.
“A situação está mais complicada do que nunca, pois Boluarte ainda é uma presidente fraca, mas aparentemente está capturando algum apoio da direita limenha e de políticos mais ao norte do país, na medida em que se aproxima das Forças Armadas e passa a se apresentar como a melhor alternativa para restituir a ordem e pôr fim aos protestos”, disse o professor de Ciências políticas da Pontifícia Universidade Católica de Lima Eduardo D’Argent.
Isso deve tornar mais remota a possibilidade de que se aprove uma antecipação das eleições gerais para um prazo mais próximo, como o Congresso chegou a propor na semana passada. O Legislativo chegou a cogitar de antecipar a eleição para julho de 2023, enquanto a presidente propunha uma antecipação para dezembro do ano que vem.
Fonte: Valor Econômico
