Por Agências Internacionais
08/12/2023 05h02 Atualizado há 5 horas
O governo do presidente americano Joe Biden fez ontem dois novos movimentos para reafirmar seu apoio à Guiana, em meio à disputa que o país trava com a vizinha Venezuela.
Em Washington, o porta-voz da Casa Branca disse que os EUA mantêm “apoio inabalável” à ex-colônia britânica na América do Sul. O outro movimento foi mais chamativo: o anúncio de que caças americanos preparavam ontem mesmo um sobrevoo na Guiana, no que foi descrito com exercício conjunto de rotina, mas que ajudou a reforçar a imagem de que as Forças Armadas americanas estão de prontidão para dissuadir a Venezuela de uma eventual aventura militar em território guianense.
A presença dos caças americanos foi descrita pelo ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, como uma “provocação” dos EUA e “um passo na direção incorreta”.
O dia também foi marcado por um acidente com militares guianenses: cinco deles morreram na queda de um helicóptero. O presidente Irfaan Ali disse que eles serão lembrado como heróis na defesa do país.
Caracas e Georgetown vivem nas últimas semanas uma intensa troca acusações em função da região de Essequibo, uma área de 160 mil quilômetros quadrados que se estende por toda a faixa oeste da Guiana. É uma região historicamente contestada pela Venezuela e que ganhou destaque internacional depois de domingo, quando venezuelanos foram às urnas e votaram em um referendo a favor de que Essequibo passe a ser território da Venezuela.
O governo de Nicolás Maduro fez do tema sua bandeira número 1. Para críticos e opositores, a aposta não passa de uma bravata com o objetivo de unir os venezuelanos em torno da antiga ideia de que Essequibo tem raízes venezuelanas e que deve ser agregada a suas fronteiras. A avaliação é que Maduro tenta ganhar prestígio para as eleições presidenciais previstas para 2024. Ou, diante de um eventual fortalecimento da oposição, tenta criar um ambiente de disputa internacional que sirva de álibi para a instauração de um estado de emergência, o que levaria ao adiamento das eleições.
“Nós, decisivamente, mantemos um apoio inabalável à soberania da Guiana”, disse ontem a jornalistas John Kirby, porta-voz da Casa Branca para temas relacionados à segurança nacional. E acrescentou que o governo Biden apoia uma solução pacífica para a disputa.
Ontem, os sócios do Mercosul e países associados emitiram nota pedindo que não sejam tomadas ações unilaterais e que os dois lados busquem uma solução pacífica (leia mais abaixo).
A Guiana diz que o governo bolivariano é imprevisível e por isso tem buscado o respaldo de aliados estrangeiros para garantir sua integridade territorial. O cenário de uma invasão venezuelana à Guiana – o que analistas veem ainda como uma hipótese altamente improvável – é fonte de dor de cabeça para governos da região e também para interesses dos EUA.
O país de Maduro é dono das maiores reservas mundiais de petróleo. Biden suspendeu este ano as sanções à Venezuela e permitiu que a americana Chevron voltasse a operar no país. Uma eventual invasão da Guiana provavelmente levaria à retomada de sanções e à interrupção das operações da petroleira.
A Guiana foi palco de grandes descobertas de petróleo na última década. E o principal player local é também uma petroleira americana: a Exxon Mobil.
Ontem, o vice-presidente guianense Bharrat Jagdeo, disse que as empresas que exploram petróleo em campos offshore na costa de Essequibo não devem se preocupar com as ameaças de Maduro, que ordenou esta semana que a petroleira venezuelana PDVSA passe a conceder licenças para exploração da região. “Qualquer tentativa de exploração de petróleo por parte da suas empresas estatais ou de empresas estatais no nosso território será vista, pela Guiana, como uma incursão”, disse ele.
Fonte: Valor Econômico
