Mesmo com a persistente circulação do vírus e o registro de mais duas mortes por covid-19, mais cidades chinesas anunciaram no fim de semana relaxamento das medidas restritivas de combate da pandemia
Por Agências internacionais
04/12/2022 21h11 Atualizado há 12 horas
A China reportou neste domingo (04) duas mortes adicionais por covid-19, mesmo assim mais cidades chinesas — incluindo Xangai e Hangzhou — aceleraram o afrouxamento das restrições de covid-zero no fim de semana, criando expectativas de que Pequim pode abandonar a política que manteve o país isolado por três anos e que hoje pesa no crescimento da economia.
A Comissão Nacional de Saúde disse que uma morte foi relatada na província de Shandong e, a outra, em Sichuan. Não foram dadas informações sobre a idade das vítimas ou se estavam totalmente vacinadas.
Mesmo com a persistente circulação do vírus, as cidades chinesas continuaram a diminuir os controles. A China relatou ontem 31.824 novos casos dos testes realizados no dia anterior, uma ligeira queda em relação ao sábado, com a diminuição das exigências de testes.
O centro financeiro de Xangai, que passou por um exaustivo lockdown de dois meses no início do ano, anunciou neste domingo (04) que a partir desta segunda-feira (05) deixará de exigir teste de PCR para as pessoas entrarem em locais públicos ao ar livre, como parques, bem como andar de transporte público. As medidas “continuarão a ser otimizadas e ajustadas” de acordo com a política nacional e a situação, de acordo com o comunicado.
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Pessoas são testadas para a covid-19 em Pequim — Foto: Ng Han Guan/AP
Hangzhou, lar da gigante de tecnologia Alibaba, também anunciou neste domingo (04) que eliminará as exigências de teste para permitir a entrada na maioria dos locais públicos, bem como o acesso ao transporte público. Os testes não serão mais necessários para comprar certos medicamentos, disseram as autoridades da cidade em um comunicado.
Dessa forma, Xangai e Hangzhou se juntam a outras grandes cidades, como Pequim, Shenzhen e Guangzhou, que relaxaram as restrições da covid-zero nos últimos dias. Importantes autoridades do governo chinês sinalizaram na semana passada uma transição para longe das medidas de contenção mais duras, que pesaram na economia e levaram milhares de manifestantes a sair às ruas para expressar seus descontentamento.
O rápido relaxamento nas restrições levou a uma queda acentuada no número de cabines de teste em algumas cidades, causando filas extraordinariamente longas, como no distrito de Chaoyang, de Pequim, uma das áreas mais atingidas pelo surto atual de covid-19.
Autoridades de Zhengzhou, sede da maior fábrica da Apple na China, também anunciaram neste domingo (04) o fim imediato do teste obrigatório de covid para entrar em ônibus, metrô, táxis e outros locais públicos. A medida também foi abolida as pessoas que saem da cidade e para frequentadores de bares de karaokê e cibercafés.
A cidade de Wuhan, no centro da China, onde o vírus surgiu pela primeira vez há cerca de três anos, disse que deixaria de exigir teste de covid para as pessoas andarem de metrô, enquanto a cidade de Lhasa retomaria as operações de ônibus anteriormente interrompidas.
As ações chinesas subiram recentemente, alimentadas pelo crescente otimismo de que a China está se afastando de sua rígida política de covid-zero. Em Hong Kong, o índice Hang Seng China Enterprises subiu 29% em novembro, fechando seu melhor mês desde 2003, enquanto o índice de referência Hang Seng registrou sua maior alta mensal desde 1998.
Porém, economistas alertam que a economia da China não terá uma recuperação rápida, mesmo que as autoridades acelerem as medidas para abrir o país. Alicia García-Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico da empresa de pesquisa Natixis, disse que “a China deve crescer apenas metade do que o governo prometeu para 2022”, referindo-se à meta oficial de crescimento de 5,5% do PIB.
García-Herrero observa que os “fatores por trás da desaceleração estrutural da China ainda estão intactos”, incluindo uma crise imobiliária, uma população envelhecida e uma queda na produtividade, que continuarão a pesar nas perspectivas econômicas do país, mesmo que as restrições sejam suspensas.
Fonte: Valor Econômico