As sucessivas guerras e tensões geopolíticas dos últimos anos mostraram que o mundo está menos globalizado, na avaliação da Kapitalo Investimentos, e reforçaram a necessidade de os países reduzirem sua dependência uns dos outros, inaugurando uma nova lógica de armazenamento de matérias-primas. Para a gestora, esse movimento pode dar origem a um novo ciclo de valorização das commodities, semelhante ao observado durante o processo de urbanização da China no início dos anos 2000.
“O chinês estoca tudo, investe muito em data centers e energia. Por isso, ficou mais tranquilo durante essa guerra. Acho que todos os outros países vão perceber que precisam fazer o mesmo. O mundo tende a se inspirar mais no modelo chinês”, afirma o sócio e gestor responsável por um dos times de renda variável Brasil da Kapitalo, Bruno Mauad. “Existe uma chance de ter um novo ciclo de commodities, à la o que aconteceu quando a China se urbanizou”, acrescenta.
Antes mesmo da forte valorização das ações ligadas ao setor no primeiro trimestre de 2026, a gestora já mantinha uma posição relevante na área. A busca por ativos reais, especialmente após a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, não surpreendeu a gestora, que ampliou sua exposição a empresas exportadoras, em detrimento de papéis domésticos na bolsa. Os papéis ligados à economia local foram preteridos diante de um quadro fiscal ainda frágil no Brasil e de uma nova dinâmica global que favorece a valorização de matérias-primas, como cobre e minério de ferro.
“Tem menos oferta de commodities e as empresas também estão menos alavancadas, depois de quase terem quebrado em 2015. São vários elementos que favorecem preços mais saudáveis”, diz Mauad.
Com uma perspectiva mais favorável para exportadoras e empresas ligadas a commodities por um período prolongado, o gestor mantém posições em Aura Minerals, Vale e Embraer, companhias que, em sua avaliação, estão bem-posicionadas para atravessar essa nova fase da economia global.
Por outro lado, a gestora não tem exposição à Petrobras, em razão das incertezas relacionadas aos gastos do governo, que se intensificaram em meio ao calendário eleitoral. Em um cenário fiscal mais delicado, afirma Mauad, faz menos sentido aumentar a exposição a empresas domésticas, reforçando a preferência por companhias com receitas mais ligadas ao mercado internacional.
Fonte: Valor Econômico