Por Joe McDonald — Associated Press, de Pequim
24/05/2023 05h02 Atualizado há 5 horas
A China pressionou ontem a Holanda pelo acesso à tecnologia avançada de fabricação de chips, bloqueada sob o argumento de razões de segurança. A pressão ocorre no mesmo dia que o Japão anunciou restrições à exportação de 23 itens ligados a semicondutores de última geração, incluindo equipamentos avançados de fabricação de semicondutores.
O ministro das Relações Exteriores da China, Qin Gang, alertou seu colega holandês, Wopke Hoekstra, de que não se deve permitir o que classificou como temores infundados sobre Pequim arruínem as relações entre os dois países.
A frustração da China com as restrições impostas por Holanda, Washington e Japão para o acesso à tecnologia de fabricação de chips eleva as tensões políticas em um momento em que Pequim ameaça atacar Taiwan e está cada vez mais assertiva em relação a outros vizinhos asiáticos.
Frustração do governo chinês com as restrições eleva as tensões políticas
Não há nenhuma indicação de que a Holanda tenha mudado suas restrições ao fornecimento de máquinas de litografia, que são disponibilizadas por apenas uma empresa holandesa, que usa luz ultravioleta para gravar pequenos circuitos em chips de processadores de última geração. A falta dessa ferramenta é um entrave às iniciativas chinesas para desenvolver chips para smartphones, inteligência artificial e outros aplicativos avançados.
“Quanto à questão das máquinas de litografia, a China tem sérias preocupações sobre isso”, disse Qin Gang em uma coletiva de imprensa conjunta. “Deveríamos trabalhar juntos para proteger em conjunto a ordem comercial normal entre nós, as regras do comércio internacional e para manter conjuntamente as cadeias industriais e de fornecimento do mundo estáveis.”
O embaixador chinês na Holanda já fizera ameaças, em ocasiões anteriores, sobre uma possível retaliação, sem especificá-la, mas os ministros não deram nenhum sinal de que discutiram isso em sua reunião de duas horas e meia.
“Nós conversamos sobre nossas preocupações a respeito de segurança nacional”, disse Hoekstra. “É claro que ouvi suas preocupações com atenção e este é o tipo de assunto sobre o qual continuaremos nosso diálogo.”
Pequim parece estar em uma tentativa de melhorar as relações com os governos europeus e talvez até afastar alguns de alianças com Washington.
Analistas políticos sugerem que isso faz parte dos motivos que estão por trás da decisão de Pequim de enviar um representante para discutir uma eventual solução para a guerra na Ucrânia. Analistas veem pouca esperança de paz, mas dizem que a iniciativa dá ao governo do presidente chinês, Xi Jinping, uma chance de se desviar das críticas ocidentais sobre suas relações amistosas com o presidente russo, Vladimir Putin.
Qin pediu por paciência enquanto o representante chinês, Li Hui, visita os governos europeus para discutir uma possível “resolução política”.
Qin tentou minimizar os temores sobre segurança com relação a Pequim. “O que a China exporta é oportunidade, não crise”, disse ele.
O ministro chinês reclamou do “fenômeno anormal” do que descreveu como temores exagerados sobre a China por parte de “departamentos de inteligência” que não especificou.
“Então suas acusações estão sendo exageradas pelos meios de comunicação”, disse Qin. “O resultado é a erosão do apoio popular à amizade entre nossos dois países.”
Em Tóquio, o governo japonês anunciou ontem novas restrições à exportação de tecnologia de semicondutores avançados, semelhantes as já aplicadas pelos EUA, previstas para entrarem em vigor no dia 23 de julho. Os 23 itens adicionados à lista incluem equipamentos de fabricação para litografia ultravioleta e equipamentos de gravação para dispositivos de memória em três dimensões.
Pequim criticou o anúncio do governo japonês e disse que tomaria medidas para defender seus interesses. Trata-se de um “abuso” das medidas de controle de exportação e vai contra o livre comércio e as regras internacionais, disse o Ministério do Comércio chinês em nota. (Com agências internacionais)
Fonte: Valor Econômico
