Por James T. Areddy, Dow Jones
02/03/2023 10h22 Atualizado há 14 horas
A China está à frente dos Estados Unidos nos estudos sobre a maioria das áreas da tecnologia, segundo relatório do Australian Strategic Policy Institute (Aspi, na sigla em inglês). O texto diz que Pequim é dominante em algumas atividades científicas e está melhor posicionado para desenvolver avanços importantes no futuro.
O relatório publicado nesta quinta-feira coloca os pesquisadores chineses à frente dos americanos em 37 das 44 das áreas de tecnologia examinadas, como os setores de defesa, espaço, robótica, energia, meio ambiente, biotecnologia, inteligência artificial, materiais avançados e tecnologia quântica.
“A longo prazo, a posição de liderança da China em pesquisa significa que ela se estabeleceu não apenas no desenvolvimento tecnológico atual, mas também em tecnologias futuras que ainda não existem”, disse a ASPI em relatório.
Nenhuma outra nação está perto da China e dos EUA em relação a pesquisas científicas, de acordo com o centro de estudos, que é financiado principalmente pelo governo da Austrália. O relatório colocou a Índia e o Reino Unido atrás dos dois líderes da lista na maioria dos setores, seguidos pela Coreia do Sul e Alemanha.
O relatório diz que o interesse por pesquisa e desempenho na China para os setores militar e espacial são destaque, inclusive no campo da pesquisa de tecnologias hipersônicas
Pesquisadores chineses geraram mais de 48% dos trabalhos de pesquisa de alto impacto sobre motores de aeronaves avançadas, incluindo hipersônicas. A China abriga sete das 10 principais instituições de pesquisa do mundo focadas neste assunto, de acordo com o relatório.
As descobertas são a mais recente indicação de que a China está colhendo os resultados do esforço para ultrapassar os EUA na vanguarda da engenharia, ciência e tecnologia, um ímpeto que foi o foco do governo do presidente Xi Jinping durante sua década no poder.
A palavra “pesquisa” apareceu uma dúzia de vezes em um importante discurso político que Xi fez em outubro passado. Ele prometeu mais financiamento para o desenvolvimento de tecnologias avançadas e melhores condições de trabalho para os pesquisadores.
A China ultrapassou os EUA pela primeira vez em registros anuais de patentes em 2011 e, em 2021, o total de patentes chinesas superou o dobro da dos EUA, com 1,58 milhão, de acordo com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual, uma agência das Nações Unidas.
Na esteira dessas tendências, outras evidências indicam que os acadêmicos internacionais reconhecem cada vez mais a qualidade na pesquisa chinesa. Estudos feitos na China apareceram com mais frequência do que a pesquisa dos EUA no top 1% das publicações científicas mais citadas entre 2018 e 2020 – a primeira – de acordo com uma contagem publicada no ano passado pelo Instituto Nacional de Política de Ciência e Tecnologia, financiado pelo governo japonês.
Além disso, mais cientistas nascidos na China e formados nos EUA estão retornando à China, segundo o “The Wall Street Journal”. Mais de 1,4 mil cientistas chineses abandonaram a afiliação acadêmica ou corporativa com os EUA por uma afiliação chinesa em 2021, em parte devido à crescente força da China em pesquisas de ponta.
Para o seu relatório, a ASPI disse que mediu a capacidade científica e tecnológica, ou o que chama de “pesquisa de alto impacto”. O texto diz que as conclusões são baseadas em 2,2 milhões de citações de pesquisas publicadas nos principais trabalhos acadêmicos entre 2018 e 2022.
Embora as descobertas do relatório mostrem que a China está construindo uma liderança em tecnologias críticas, elas vêm com uma grande ressalva: é difícil transformar descobertas de pesquisa em sucesso de mercado. Por exemplo, apesar da ampla evidência de que a China está determinada a gastar muito para dominar tecnologias de motores a jato, os engenheiros locais lutam há décadas para produzi-los, de modo que os setores de aviação comercial e militar dependem de fornecedores estrangeiros.
A situação é semelhante para a China em semicondutores, um setor que o relatório da ASPI diz que continua sendo um dos pilares dos EUA para seu projeto e desenvolvimento de chips avançados. Os EUA também estão à frente no desenvolvimento de computadores de alto desempenho, bem como computação quântica e aplicações médicas, como vacinas, disse o relatório.
Mas em uma série de tecnologias, a China tem uma liderança grande o suficiente para representar um risco de monopólio, segundo o relatório: minúsculos materiais e revestimentos em nanoescala que podem dar aos produtos manufaturados novas propriedades, comunicações avançadas como 5G, tecnologias relacionadas a baterias necessárias para veículos elétricos, biologia que pode ser fabricada sinteticamente para aumentar a produção de alimentos e sensores fotônicos que oferecem novas maneiras de manipular a luz.
O relatório classifica a Academia Chinesa de Ciências de Pequim em primeiro ou segundo lugar entre as organizações de pesquisa na maioria dos setores classificados. O texto também diz que um quinto dos autores de artigos de pesquisas científicas no relatório estudaram em pelo menos um dos cinco países ocidentais que mais conduzem pesquisas, como os EUA.
Fonte: Valor Econômico
![357766994-foxconn-bloombrg[1]](https://clipping.ventura.adm.br/wp-content/uploads/2023/03/357766994-foxconn-bloombrg1-984x492.jpg)