As autoridades chinesas lançaram mais medidas para promover o uso do yuan globalmente, em seu esforço mais recente para construir uma infraestrutura financeira mais resiliente e proteger sua economia contra choques externos.
Pan Gongsheng, presidente do Banco do Povo da China (PBoC), anunciou nesta quarta-feira que Pequim estabelecerá uma nova linha de recompra (repo). Essa ferramenta permitirá que autoridades monetárias estrangeiras, incluindo fundos soberanos, obtenham liquidez em yuan junto ao banco central chinês utilizando títulos como garantia.
Pan também revelou que a China lançará um programa piloto para negociação de câmbio de yuan offshore na Zona de Livre Comércio de Xangai, durante seu discurso a executivos financeiros no fórum Lujiazui, em Xangai, nesta quarta-feira.
O programa visa transformar a cidade litorânea em um polo global para alocação de ativos denominados em yuan e gestão de risco.
Falando sobre o controle da política monetária pelo banco central, Pan afirmou que o PBoC adotará várias etapas para melhorar seu mecanismo de regulação das taxas de juros de curto prazo.
O PBoC vai estreitar o corredor de taxas para suas linhas temporárias de recompra e recompra reversa de curto prazo (overnight), além de aumentar suas operações de recompra reversa overnight, disse ele.
Somadas, essas iniciativas sugerem que as autoridades podem estar migrando para o uso da taxa overnight do banco central como sua principal referência de política monetária, em linha com a maioria de seus pares globais.
Atualmente, a principal referência de política do PBoC é a taxa de recompra reversa de sete dias. Pan disse ainda que o banco está formulando ferramentas para fornecer liquidez de emergência a instituições não bancárias durante crises.
O discurso desta quarta-feira não deu indícios de qualquer potencial afrouxamento monetário, embora tenha ocorrido após indicadores econômicos fracos divulgados na terça-feira.
Maio registrou a primeira queda nos gastos dos consumidores chineses em mais de três anos e um recuo ainda maior nos gastos com investimentos.
Apesar dos ventos contrários internos, economistas acreditam que Pequim dificilmente abandonará sua abordagem de “esperar para ver” no curto prazo, em grande parte porque o crescimento das exportações continua robusto.
No entanto, se a fraqueza persistir no segundo semestre do ano ou se os riscos geopolíticos se intensificarem, os formuladores de políticas podem entrar em ação, avaliam os economistas.
Fonte: Valor Econômico