Por Gabriel Caldeira, Valor — São Paulo
18/07/2023 17h08 Atualizado há 15 horas
O processo consistente de queda da inflação em boa parte dos países latino-americanos deve permitir em breve uma flexibilização monetária pelos bancos centrais das principais economias da região. Na avaliação de Francisco Nobre, economista da XP Investimentos, Chile, Brasil e Peru devem ser os primeiros países a realizarem cortes de juros este ano.
“A velocidade e a magnitude com que os bancos centrais terão espaço para reduzir os juros dependerá em grande parte do nível estimado das taxas reais neutras, bem como da quantidade de estímulo fiscal vindo do governo, o que pode acabar reduzindo o impacto da política monetária contracionista e limitar o espaço para cortes”, comenta Nobre em relatório enviado com exclusividade ao Valor.
Ele destaca as “surpresas baixistas” da inflação na América Latina em junho como um fator que auxilia o início do ciclo de flexibilização, ainda que os preços de serviços sigam pressionados, como ocorre em economias desenvolvidas. Mas, mesmo neste setor, Nobre vê “sinais de melhora” e uma tendência positiva que ficará mais clara à frente.
Com isso, o Banco Central do Chile deve ser o primeiro a cortar juros já neste mês de julho, diz o economista da XP, seguido pelos bancos centrais brasileiro e peruano, em agosto. Atualmente, a taxa básica do BC chileno está em 11,25%, e Nobre acredita que ela terminará 2023 em 8,25%. Já a previsão da XP para a Selic é de 12% ao fim deste ano.
No outro espectro do afrouxamento monetário, os bancos centrais de México e Colômbia devem cortar juros apenas no fim do ano, entre outubro e dezembro, segundo Nobre.
Na Colômbia, a inflação se mostra mais persistente e deve terminar o ano em 9%, o que fará com que o BC local reduza os juros em apenas 125 pontos-base, 12%.
Já o Banxico, como é chamado o BC do México, deve ter espaço reduzido para cortar por conta da correlação dos juros mexicanos com os dos EUA. Por lá, o BC americano não deve reduzir a taxa básica este ano, limitando o Banxico a cortes de apenas 50 pontos-base, para um juro de 10,75%, segundo a previsão do economista da XP.
Quanto às moedas de emergentes latino-americanos, Nobre projeta que as cotações (em relação ao dólar) ficarão em torno dos níveis atuais, com “flutuações de curto prazo reféns dos desenvolvimentos políticos”.
Fonte: Valor Econômico
Juros devem cair no Brasil em agosto, segundo a XP — Foto: Marcos Santos/USP Imagens
1 de 1 Juros devem cair no Brasil em agosto, segundo a XP — Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Juros devem cair no Brasil em agosto, segundo a XP — Foto: Marcos Santos/USP Imagens

