Estudo com animais teve resultados promissores; proteína presente no veneno tem propriedades anti-inflamatórias
- O Estado de S. Paulo.
- 30 Aug 2023
- RENATA OKUMURA
Foram usadas moléculas de veneno de niquim, espécie brasileira comum nas Regiões Norte e Nordeste.
Estudado desde 1996
Espécie que predomina no Norte e Nordeste, o niquim costuma se esconder em buracos na areia
Uma pesquisa do Instituto Butantan revela que as moléculas de veneno do peixe niquim (Thalassophryne nattereri ), uma espécie brasileira peçonhenta, podem ajudar no tratamento de asma. Trata-se de um peptídeo denominado TnP, conforme o instituto divulgou. Em estudo publicado na revista científica Cells, foram apresentados resultados promissores para o tratamento da asma em testes em modelos animais.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a asma é a doença respiratória crônica mais comum, afetando 262 milhões de pessoas no mundo e causando 455 mil mortes por ano. Descoberta em 2007 pelo Laboratório de Toxinologia Aplicada do Butantan, a proteína com propriedades anti-inflamatórias deu origem a uma série de peptídeos sintéticos produzidos pelo grupo, que foram patenteados no Brasil e em outros 12 países. “Depois disso, pesquisas conduzidas pela equipe têm apontado a molécula como uma possível candidata para tratar doenças inflamatórias”, afirma o instituto.
No caso da asma, a pesquisa comparou grupos de animais com a doença tratados com TnP e com dexametasona, fármaco comumente utilizado contra asma, e animais não tratados. “Assim como o tratamento convencional, o TnP reduziu em mais de 60% o número de células totais que causam inflamação e dano tecidual no pulmão. No caso dos eosinófilos (tipo de célula inflamatória), responsáveis pela inflamação em cerca de metade dos pacientes, a redução foi de 100%”, diz o estudo.
Diferentemente das terapias convencionais, que podem causar sintomas como taquicardia, agitação, dor de cabeça e tremores musculares, não foram identificados efeitos adversos.
SEQUENCIAMENTO.
Segundo a pesquisadora Mônica LopesFerreira, responsável pelo estudo, foi feito o sequenciamento genético do TnP para permitir a produção dos peptídeos sintéticos em laboratório. “Assim, os pesquisadores não dependem mais da extração do veneno do peixe e podem testar as moléculas sintéticas em diferentes modelos de doenças”, disse.
Espécie de peixe que predomina no Norte e Nordeste, o niquim costuma se esconder em buracos na areia e chega a sobreviver por até 18 horas fora d’água, podendo provocar acidentes graves. O contato com seus espinhos causa dor aguda, queimação, inchaço e necrose. Seu veneno é estudado pelo Butantan desde 1996.
Para avaliar a toxicidade e a segurança do peptídeo TnP, os pesquisadores testaram a molécula em zebrafish (ou peixe paulistinha), um modelo animal de pesquisa que apresenta 70% de semelhança genética com humanos. Não houve registro de disfunções cardíacas nem problemas neurológicos causados pelo peptídeo.l
– Aos 68 anos. Era viúvo de Maria Rufina da Silva. Deixa os filhos Mirian, Milene, Mauricio, parentes e amigos. O enterro foi realizado no Cemitério e Crematório Primaveras.
Fonte: O Estado de S. Paulo