Por Mariana Ribeiro, Valor — São Paulo
05/02/2024 07h01 Atualizado há 11 horas
O BTG Pactual registrou novo lucro recorde no quarto trimestre de 2023. Houve crescimento de receita nas principais linhas de negócios, com exceção do segmento de banco de investimentos, que segue mais fraco. O banco diz que está otimista para 2024 e projeta aumento de rentabilidade. Outro objetivo é acelerar as concessões para pequenas e médias empresas, que devem crescer em ritmo acima da carteira total da instituição.
O BTG teve lucro líquido ajustado de R$ 2,847 bilhões no quarto trimestre de 2023, com alta de 4,1% sobre o trimestre anterior e de 61,1% sobre mesmo período de 2022. No ano, o resultado somou R$ 10,419 bilhões, crescimento anual de 25%.
A receita total ficou em R$ 5,653 bilhões nos últimos três meses do ano, estável na comparação trimestral e com avanço de 55,9% no confronto anual. A alta expressiva nas comparações anuais tem um efeito de base comparação, já que, na divulgação do quarto trimestre de 2022, o banco reconheceu “o impacto de uma provisão não recorrente” — leia-se Americanas.
No último trimestre de 2023, o retorno ajustado sobre o patrimônio (ROAE) foi de 23,4%, de 23,2% no trimestre anterior e 16,7% um ano antes. No ano, o indicador ficou em 22,7%, acima do projetado pela instituição — o BTG estimava superar o resultado de 2022, que foi de 20,8%. Para 2024, a expectativa é de um novo aumento, diz o CEO do BTG Pactual, Roberto Sallouti.
A captação líquida de clientes (“net new money”, no jargão em inglês) foi de R$ 41 bilhões de outubro a dezembro, abaixo dos R$ 59 bilhões obtidos no terceiro trimestre. Na área de gestão de patrimônio (“wealth management”), foram R$ 26,9 bilhões, de R$ 31,3 bilhões nos três meses anteriores. Já na linha de gestão de recursos (asset management), foram R$ 14,5 bilhões, ante R$ 28 bilhões no terceiro trimestre.
Em “wealth”, o patamar de captação segue forte e consistente, disse o CFO do BTG, Renato Cohn. Já em “asset”, há mais volatilidade, mas a tendência para 2024 é mais parecida “com a média do ano passado do que com o quarto trimestre”. “A indústria teve bastante resgate em 2023, então conseguimos ter um resultado muito positivo”, acrescentou. O total de recursos de terceiros atingiu R$ 1,569 trilhão no quarto trimestre, aumento anual de 25,1%.
As receitas do segmento de gestão de recursos ficaram em R$ 509 milhões de outubro a dezembro, crescimento trimestral de 9% e anual de 18%. Já em gestão de patrimônio e banco de varejo atingiram R$ 862 milhões, avanço de 9% e 26%, respectivamente. Ambos os valores são recorde.
A área de crédito a empresas, chamada pelo banco de Corporate & SME Lending, que inclui os segmentos de atacado e de pequenas e médias companhias, teve receita de R$ 1,353 bilhão. Houve alta de 2% no trimestre e de 1187% em um ano (comparação também influenciada pela provisão de Americanas).
O portfólio de crédito somou R$ 171,6 bilhões, avanço trimestral de 6,8% e anual de 18,9%. Do total, R$ 20,513 bilhões são referentes a pequenas e médias empresas. A carteira para PME teve alta de 16,2% no trimestre e queda de 9,7% em um ano.
A área de banco de investimentos, por sua vez, teve receita de R$ 464 milhões, queda trimestral de 21% e anual de 4%. O banco espera resultados mais fortes em 2024. Cohn disse que a retomada do mercado de ações segue como a grande dúvida para o ano, mas que há muitas empresas prontas e “eventualmente” alguma oferta inicial de ação (IPO) pode se concretizar ainda no segundo trimestre.
“O mercado deu uma melhorada no final do ano passado, mas falta um pouco para ter uma melhora de fato no mercado de ações”, disse a jornalistas. “Eventualmente no segundo trimestre dá tempo de ter algo ainda [sobre IPOs].” O mercado de dívida já atingiu certa normalização desde o choque do início do ano passado e o de M&A (fusões e aquisições) tem um bom pipeline, afirmou. “Achamos que vamos continuar executando”, disse o CFO do banco.
Em Sales & Trading (área que inclui corretagem e operações de mercado), a receita foi de R$ 1,407 bilhão, queda trimestral de 3%, mas alta anual de 24%.
Cohn disse estar otimista para 2024. De acordo com ele, em um ambiente de queda dos juros, a posição competitiva do banco fica “muito melhor”. “Estamos muito satisfeitos com o ambiente macroeconômico que estamos vendo para o futuro próximo”, afirmou. Em relação à possibilidade de novas aquisições, o executivo afirmou que o banco sempre procura oportunidades, mas que o crescimento dos negócios tem se dado muito mais pela via orgânica.
Fonte: Valor Econômico
