6 Feb 2024
Depois de ter desaparecido há quase um ano em meio à uma investigação das autoridades chinesas, o banqueiro de investimentos Bao Fan renunciou ao cargo de presidente e CEO da China Renaissance Holdings, informou a empresa na última sexta-feira.
Fan, que realizava negociações para os gigantes chineses da internet Alibaba e Tencent, desapareceu em fevereiro do ano passado. A China Renaissance inicialmente disse que tinha perdido contato com Bao, antes de declarar mais tarde que ele estava cooperando com uma investigação realizada pelas autoridades na China.
O desaparecimento sinalizou um aumento na repressão de Pequim à elite empresarial como parte de uma campanha anticorrupção. Isso alimentou preocupações sobre até que ponto as autoridades chinesas iriam para controlar poderosos atores da economia do país, ao mesmo tempo que elas ampliam o controle sobre o sistema regulatório financeiro.
Em documento apresentado à Bolsa de Valores de Hong Kong, a China Renaissance informou que Fan estava deixando o cargo por “razões de saúde e para dedicar mais tempo a assuntos familiares”.
A empresa comunicou que Fan também renunciou ao assento que tinha no conselho de administração da empresa.
“O sr. Bao confirmou que não tem nenhuma discordância com o conselho e não há nenhum outro assunto relacionado com a sua renúncia que deva ser levado ao conhecimento dos acionistas da empresa”, disse a China Renaissance.
BOAS RELAÇÕES. Fan era um banqueiro bem relacionado no Morgan Stanley e no Credit Suisse antes de fundar, em 2004, a China Renaissance, que investiu em muitas das empresas de tecnologia mais bem-sucedidas do país, e as ajudou a abrir o capital em Hong Kong e Nova Iorque
Xie Yijing, que atuou como CEO interino durante a ausência de Bao, foi nomeado presidente e designado chefe permanente da China Renaissance, de acordo com o documento.
Antes do desaparecimento de Fan, Cong Lin, outro executivo da China Renaissance, foi detido em 2022 pelas autoridades como parte de uma investigação sobre as suas negociações antes de ingressar na empresa.
A China tem investido sobre as empresas financeiras como parte do seu esforço para controlar as companhias e seus executivos em nome do fortalecimento da segurança nacional. No último ano, as autoridades chinesas realizaram operações em várias empresas de consultoria com vínculos no exterior. Em novembro, o Ministério da Segurança do Estado da China afirmou ser um “guardião firme da segurança financeira”.
No dia 30 de janeiro, em um artigo publicado na página do WeChat (serviço de mensagens desenvolvido pela Tencent) do ministério, intitulado Dez xícaras de chá – uma referência ao fato de o banqueiro ter sido chamado “para tomar chá” como um eufemismo para ser questionado –, a agência expôs dez ações que levantariam suspeitas sob a lei de contraespionagem da China.
Uma revisão da lei no ano passado ampliou a definição do que constitui espionagem, alimentando preocupações de que trabalhadores de empresas estrangeiras pudessem ser detidos por participarem de atividades de negócios normais, como coletar informações sobre setores e concorrentes. •
Fonte: O Estado de S. Paulo