A agência de classificação de risco Fitch afirmou nesta terça-feira (20) o rating do Brasil em “BB-“, com perspectiva estável, mas destacou as incertezas elevadas em relação aos planos do governo eleito e seus impactos sobre os desafios econômicos e fiscais.
“A perspectiva estável reflete a expectativa da Fitch de que o crescimento vai desacelerar no próximo ano e que a recente melhora fiscal vai piorar sob o novo governo, mas dentro de uma margem consistente com o rating atual, e de um ponto de partida melhor do que o esperado antes”, disse a agência em relatório.
“A incerteza é elevada em relação aos planos do novo governo e até que ponto eles podem aliviar ou agravar os desafios fiscais e econômicos. No entanto, a Fitch não espera políticas que comprometam a estabilidade econômica geral.”
Essa visão vem em meio ao esforço do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para viabilizar o pagamento de benefício social de R$ 600 por família a partir do ano que vem. O caminho do presidente eleito para consegui-lo seria a PEC da Transição, que, em seu formato atual, prevê expansão do teto de gastos em R$ 145 bilhões de forma a financiar o Bolsa Família.
“Um Congresso fragmentado, no qual os partidos conservadores obtiveram vitórias, pode representar uma limitação para a agenda de Lula, mas não é certo que represente uma força intensa para a disciplina fiscal na visão da Fitch, tendo em vista as medidas fiscais expansionistas tomadas antes das eleições e sendo consideradas atualmente durante o período de transição”, avaliou a agência de classificação de risco.
Segundo a Fitch, o rating do Brasil é pressionado negativamente pelo alto endividamento do governo, uma estrutura fiscal rígida, fraco potencial de crescimento econômico e um histórico de desafios de governabilidade, que dificultaram os esforços para abordar questões fiscais e econômicas e obscureceram a previsibilidade das políticas públicas.
Sobre o cenário microeconômico, a Fitch reconheceu que mudanças são prováveis durante o governo Lula, mas ponderou que propostas concretas ainda precisam ser anunciadas.
Fonte: Valor Econômico