A nova tarifa global de 15% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode beneficiar justamente países que ele costuma criticar com mais frequência, como Brasil e China. É o que aponta análise divulgada pelo jornal Financial Times, com base em dados do instituto independente Global Trade Alert (GTA).
Segundo o levantamento, o Brasil terá a maior redução média nas tarifas aplicadas pelos EUA, com queda de 13,6 pontos percentuais. A China aparece em seguida, com recuo de 7,1 pontos percentuais.
A nova taxa substitui tarifas anteriores impostas com base na Lei dos Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), derrubadas pela Suprema Corte dos EUA na sexta-feira (20). Após a decisão judicial, Trump anunciou que adotaria uma tarifa global de 10%, a qual subiu para 15% no dia seguinte.
O novo regime entra em vigor na terça-feira (24) e terá validade de 150 dias. Depois disso, as taxas precisarão de autorização do Congresso para continuarem em vigor.
Aliados históricos ficam mais expostos
Enquanto países como Brasil e China veem redução nas tarifas médias, aliados tradicionais dos EUA devem sentir impacto maior.
Reino Unido, União Europeia e Japão tendem a ser mais afetados, segundo a análise citada pelo Financial Times. O Reino Unido é apontado como o maior prejudicado, com aumento médio de 2,1 pontos percentuais na tarifa aplicada aos seus produtos. A União Europeia verá elevação média de 0,8 ponto percentual, com Itália e França entre os mais expostos.
A explicação está na composição das exportações desses países, concentradas em setores como aço, alumínio e automóveis — segmentos que continuam sujeitos a tarifas específicas mantidas após a decisão da Suprema Corte.
Governo dos EUA promete continuidade da política tarifária
O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que o governo seguirá conduzindo investigações comerciais que podem resultar em novas tarifas.
“Não temos a mesma flexibilidade que a IEEPA nos dava, mas vamos conduzir investigações que podem nos autorizar a impor tarifas, se for justificado”, disse. Segundo ele, o aumento de 10% para 15% reflete a “urgência da situação”.
Greer também afirmou que nenhum parceiro comercial sinalizou rompimento dos acordos já negociados com Washington.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reforçou que os parceiros comerciais querem manter os entendimentos firmados.
Incerteza permanece
Para Johannes Fritz, economista-chefe do GTA ouvido pelo Financial Times, o cenário segue incerto.
Segundo ele, países como China, Brasil, México e Canadá, anteriormente alvo de críticas e tarifas específicas, estão entre os que mais se beneficiam na média com o novo regime.
Fritz destacou ainda que o governo americano já iniciou investigações com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 contra Brasil e China, o que pode levar a medidas adicionais.
Na Europa, autoridades reagiram com cautela. A Comissão Europeia pediu “clareza total” sobre a nova política tarifária, enquanto a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirmou que, até agora, o custo das tarifas tem recaído principalmente sobre importadores e consumidores americanos.
Fonte: Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC
