Por Bloomberg
02/08/2022 05h03 Atualizado há 5 horas
É esperado que o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) realize, nesta semana, o maior aumento da taxa de juros em 27 anos e revele sua estratégia para desfazer parte dos 895 bilhões de libras (US$ 1,1 trilhão) de estímulos à economia que entregou ao longo da última década.
As medidas acelerariam um aperto histórico da política monetária para conter o pior surto de inflação em 40 anos. O presidente do BOE, Andrew Bailey, e seus colegas alertaram que os preços podem saltar 11% este ano, bem acima da meta de 2%.
O BOE também está preocupado em ficar para trás em relação a seus pares, especialmente o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que elevou as taxas de juros nos Estados Unidos em um total de 1,5 ponto em suas duas últimas reuniões. Para o banco central britânico, os aumentos das taxas também sustentarão o valor da libra esterlina, que caiu 10% em relação ao dólar desde o início do ano.
“O quadro da inflação piorou significativamente, e o discurso de Bailey – de um possível aumento de 0,50 ponto percentual – sugere-nos que eles estão prontos para serem contundentes”, disse Liz Martins, economista sênior do banco HSBC em Londres.
Os investidores antecipam 70% de chance de uma alta de 0,50 ponto na taxa de juros de referência do BOE, para 1,75%, a maior desde a crise financeira global, em 2009. Embora a maioria dos economistas também veja um movimento dessa escala nesta semana, alguns, entre eles Morgan Stanley e NatWest Markets, dizem que uma alta de 0,25 ponto é mais provável, citando riscos crescentes de recessão. A decisão deve ser divulgada na quinta-feira, 4 de agosto.
A medida complica o cenário econômico para os candidatos que disputam a substituição de Boris Johnson como primeiro-ministro. A secretária de Relações Exteriores Liz Truss e o ex-ministro de Finanças Rishi Sunak tentam atrair membros do Partido Conservador com um pacote de medidas para ajudar a população a lidar com o aumento das contas e dos preços da energia.
Até agora, o BOE aumentou as taxas de juros cinco vezes desde dezembro, em passos de até 0,25 ponto percentual. As ações do Fed e uma série de leituras de inflação do Reino Unido acima das previsões levaram os formuladores de políticas britânicos a repensarem sua resposta mais gradual e prometerem agir “com mais força” se necessário.
A última vez que o BOE elevou as taxas de juros em 0,50 ponto foi em fevereiro de 1995, quando o governo estabeleceu o custo dos empréstimos com orientação do banco central. Na época, o temor era que a economia crescesse em ritmo acelerado e insustentável. O PIB estava crescendo em torno de 4% ao ano, a inflação havia aumentado e pesquisas de empresas mostravam que os preços no atacado estavam subindo.
A decisão desta semana afastará o BOE da última década de dinheiro fácil na forma de estímulo à economia durante a crise financeira e, após, durante a pandemia de coronavírus. O BOE comprou 895 bilhões de libras em títulos públicos e corporativos ao longo desse período.
Bailey disse que a decisão desta semana incluirá detalhes sobre como o BOE venderá parte do portfólio. Em fevereiro, o banco central parou de reinvestir os recursos de ativos vincendos. Agora está considerando as vendas ativas, que Bailey disse que poderiam ficar na faixa de 50 bilhões a 100 bilhões de libras somente no primeiro ano do programa.
Fonte: Valor Econômico
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