Por Assis Moreira — De Davos
26/05/2022 05h00 Atualizado há 5 horas
Sairá nesta quinta-feira a primeira compra de carbono feita pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), informou ontem ao Valor o presidente da instituição, Gustavo Montezano, em Davos, na Suíça, onde participa do Fórum Econômico Mundial. O plano é induzir o desenvolvimento de um novo mercado no país.
Essa primeira operação envolve apenas R$ 10 milhões, para testar o modelo e a precificação do carbono. Mas, em entrevista ao Valor, o executivo deu uma referência sobre o potencial do mercado: o BNDES vendeu R$ 70 bilhões em ações listadas em bolsa de valores – da Petrobras, Vale e JBS – e vai pegar parte desse capital que foi desmobilizado para “usar num mercado novo mais arriscado”.
Montezano acredita que o banco de fomento possivelmente terá bom resultado financeiro com isso também. São créditos a certificar, portanto créditos futuros. Esse tema foi muito debatido em Davos. A instituição quer passar para os empresários e empresas “a grande oportunidade que a economia climática traz para o Brasil”.
“O BNDES investe em dívida, ações, em fundos”, explicou. “A partir de agora vai investir também em carbono. Se alguém tem uma floresta em pé que pode ser desmatada e não desmatou, poderá vender o carbono excedente nesta floresta. É um ativo novo, o banco nunca negociou esse tipo de ativo.”
O executivo explicou que o banco vai induzir esse mercado fazendo leilões futuros para comprar créditos, para mostrar para os produtores de carbono que eles podem fazer esse investimento porque tem demanda.
O preço da tonelada de carbono florestal vai ser revelado hoje durante o anúncio. A referência no país fica entre US$ 10 e US$ 15. E até 2030 o Canadá, a Austrália e a Europa falam em tonelada por volta de US$ 150. Pode ser compra de carbono da floresta, metano ou transporte, por exemplo.
Montezano explicou que o BNDES pode usar os créditos para compensar suas próprias emissões ou disponibilizar para clientes no futuro. A avaliação do banco é de que dentro do Brasil as empresas vão demandar muito carbono. “Falo para nossos clientes brasileiros para aproveitar o momento, e fazer a compensação com carbono nativo, porque com esse ativo vão ter uma vantagem competitiva para a frente.”
Em sessões sobre clima no fórum de Davos, Montezano disse que abordou uma série de ações do banco de fomento para incentivar a bioeconomia, ou a floresta em pé, como outros chamam. Uma dessas ações é o “Floresta Viva”, que ele disse ser o maior trust fundo de reflorestamento no país.
No fórum nos Alpes suíços, a economia climática teve grande destaque e os representantes brasileiros procuraram mostrar que há iniciativas em curso para proteger florestas e descarbonizar a economia. O executivo do BNDES reiterou que o banco aponta na direção de descarbonização da economia.
“Saímos daqui ratificando a estratégia que fizemos para o BNDES, reforçando a importância de no momento atual de [o país] ter um banco como o BNDES”, disse Montezano, que está no comando da instituição desde junho de 2019. “Esses bancos estão retomando o protagonismo neste mundo em reconstrução.”
Fonte: Valor Econômico
