A probabilidade de o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) terminar 2026 abaixo do piso da meta é 2% e de ficar acima do teto é 30%, de acordo com estimativas feitas pelo Banco Central (BC) no Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado nesta quinta-feira.
Para 2027, a chance de ficar abaixo é de 10% e acima é 19%. Já para 2028, a probabilidade é de 11% para ficar abaixo e de 17% para ficar acima. A meta contínua de inflação é de 3%. O sistema prevê intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Na edição anterior do relatório, o BC projetava 7% de probabilidade de o IPCA ficar abaixo da meta e 23% de ficar acima em 2026. Para 2027, as projeções eram, respectivamente de 12% e 16%. Segundo o BC a revisão considerou a elevação na projeção de inflação para 2026, que passou de 3,5% para 3,9%.
Os números não são as probabilidades de descumprimento da meta, já está em vigor o sistema de meta contínua de inflação. Nessa nova metodologia, o descumprimento da meta acontece quando a inflação fica seis meses consecutivos fora do intervalo de tolerância.
O BC também projeta o IPCA em 0,33% para março, 0,42% para abril, 0,32% para maio e 0,33% para junho na variação mensal.
A variação projetada no acumulado em 12 meses ficou em 3,58% em março, 3,56% em abril, 3,63% em maio e 3,72% em junho. O BC destacou no relatório que essas projeções indicam que a inflação deve atingir o menor valor nos últimos dois anos, mas ainda acima da meta de 3%.
Para o BC, os preços de alimentos no domicílio devem ter uma evolução mais próxima da sazonalidade após resultados mais baixos. Já os preços de bens industriais devem desacelerar em relação ao trimestre encerrado em fevereiro, que tem preços impactados pela reversão de descontos da Black Friday.
No segmento de serviços, a projeção é de variações mais reduzidas até junho, mas as medidas de inflação subjacente, que exclui itens com mais volatilidade de preço, devem continuar pressionadas.
“A projeção também incorpora a elevação recente dos preços do petróleo e seus efeitos sobre os preços domésticos de combustíveis. Nesse contexto, a média dos núcleos de inflação deve se manter acima da meta de inflação na série dessazonalizada e anualizada”.
No trimestre encerrado em fevereiro, a surpresa inflacionária em relação aos percentuais previstos pelo BC foi de 0,07 ponto percentual abaixo do projetado. O BC destacou que a inflação no domicílio apresentou inflação abaixo da projetada, principalmente por alimentos in natura, semielaborados e industrializados. “O resultado mais favorável em alimentação foi parcialmente compensado por variações mais elevadas em bens industriais, serviços e preços administrados”, diz o relatório.
No caso de bens industriais, o BC destacou que a surpresa foi ‘relativamente” disseminada”. Já nos serviços, houve uma variação maior do que a projetada em passagem aéreas, enquanto outros itens seguiram as projeções.
Na análise dos preços administrados, o BC destacou surpresas de menor tamanho em produtos farmacêuticos, taxa de água e de esgoto, ônibus urbano e energia elétrica.
A autoridade monetária projeta ainda o IPCA em 3,1% no acumulado de 12 meses até o terceiro trimestre de 2028.O atual horizonte relevante para a política monetária é o terceiro trimestre de 2027. A meta de inflação é de 3% com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para cima ou para baixo. A projeção do BC é de inflação em 3,3% no terceiro e no quarto trimestres do próximo ano.
O relatório apontou que a elevação de 0,1 ponto percentual na projeção para o terceiro trimestre de 2027 em relação ao projetado em dezembro teve impacto da elevação do preço de petróleo e de revisão do hiato do produto. “Por outro lado, a apreciação cambial e a queda marginal nas expectativas de inflação contribuíram para atenuar esse aumento”.
No RPM de dezembro, o BC projetava que a inflação ficaria em 3% no primeiro trimestre de 2028. Nesta edição do relatório, a projeção foi revisada para 3,2%.
Para 2026, a expectativa é de inflação em 3,9%. A projeção do RPM de dezembro no cenário de referência para o IPCA era de 3,5% para 2026.
Segundo o relatório, a inflação acumulada em 12 meses deve ficar em 3,6% no primeiro trimestre dee 2026 e depois apresentar uma trajetória de alta “em boa medida advinda do aumento dos preços do petróleo” até o fim do ano. Para 2027, a projeção volta a cair.
Hiato do produto
No Relatório de Política Monetária, o BC calcula que o hiato do produto, uma medida de ociosidade da economia, estava em 0,4% no quarto trimestre de 2025 e em 0,1% no primeiro de 2026. Quanto mais positivo o hiato, mais a economia está crescendo acima do potencial.
Para o terceiro trimestre de 2027, a projeção é de hiato em -0,4%. Na edição anterior do relatório, o BC havia projetado um hiato de –0,4% para o segundo trimestre de 2027. “A trajetória decrescente do hiato é consistente com a desaceleração inflacionária observada recentemente”, apontou o BC.
O relatório ainda destacou que as condições monetárias restritivas têm papel fundamental no movimento de queda do hiato. O cálculo do hiato considera informações de metodologias diferentes e o julgamento do Comitê de Política Monetária (Copom).
As projeções do mercado para o hiato são diferentes. Segundo o último Questionário Pré-Copom (QPC), que coleta expectativas de agentes do mercado antes de cada reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o hiato para o quarto trimestre de 2025 estaria em 0,5%, considerando a mediana das projeções. Para o quarto trimestre deste ano, chegaria a 0,1% e para o quarto trimestre de 2027, em 0%.
Fonte: Valor Econômico
