09/10/2022
A avaliação do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) melhorou entre os beneficiários do Auxílio Brasil, programa que recebeu reajuste para R$ 600 dois meses antes da eleição e teve seu alcance ampliado às vésperas do segundo turno.
Segundo a mais recente pesquisa do Datafolha, 31% dos eleitores que recebem o benefício consideram o atual governo ótimo ou bom, ante 27% na semana passada, no final do primeiro turno. A taxa de aprovação neste grupo é a maior da série, que começou em setembro.
O índice de reprovação ainda supera o de aprovação, mas dá sinais de recuo, atingindo seu menor patamar: 41% consideram a gestão de Bolsonaro ruim ou péssima ?eram 45% na última pesquisa.
Contudo, o crescimento na avaliação positiva não se restringe a esses eleitores.
O governo melhorou sua taxa de aprovação de forma geral. Conforme mostrou o Datafolha, 37% consideram a gestão do presidente como ótima ou boa ?na semana passada eram 31%. Este é o melhor índice de aprovação alcançado pelo presidente desde dezembro de 2020.
Na primeira rodada de entrevistas para o segundo turno, o Datafolha ouviu 2.884 eleitores, entre os dias 5 e 7 de outubro, em 179 cidades. Contratado pela Folha e pela TV Globo, o levantamento está registrado no TSE sob o número BR-02012/2022. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
A pesquisa mostra que 24% dos eleitores brasileiros recebem ou moram com algum beneficiário do Auxílio Brasil.
O reajuste do valor do benefício foi uma das principais apostas de Jair Bolsonaro, que aparece atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno da disputa presidencial. De 19 a 30 de setembro, o benefício foi pago a 20,65 milhões de famílias, 450 mil a mais do que em agosto, quando 20,2 milhões tiveram direito à renda.
Apesar da melhora nos índices de aprovação do governo Bolsonaro, Lula aparece em primeiro nas intenções de voto entre os beneficiários do Auxílio Brasil. Segundo o Datafolha, 56% dos eleitores desse grupo dizem que votariam no candidato petista, enquanto 37% escolheriam Bolsonaro. Os que pretendem anular ou votar em branco representam 5%; os indecisos 2%.
A diferença entre os candidatos é maior neste grupo do que no recorte geral, onde Lula marca 49% e Bolsonaro, 44%. A nova rodada da pesquisa também indica que a grande maioria dos beneficiários (92%) diz estar totalmente decidida a votar no candidato apontado.
Como este levantamento é o primeiro exclusivamente sobre o segundo turno, não é possível comparar com pesquisas anteriores para saber se as intenções aumentaram ou diminuíram.
Embora as últimas edições do Datafolha questionassem os eleitores sobre eventuais cenários numa segunda etapa da disputa presidencial, tratava-se de simulações entre possíveis candidatos. Agora, o levantamento mede efetivamente a intenção de voto, o que resulta numa diferença de pergunta e de perspectiva.
Na última pesquisa, feita antes do primeiro turno, 64% dos eleitores que recebem Auxílio Brasil diziam votar em Lula; 30%, em Bolsonaro.
A pesquisa questionou os eleitores sobre quais temas eles consideram mais relevantes na hora de decidir o voto, e qual candidato tem mais condições de defender determinadas pautas.
No recorte geral, Bolsonaro apontado como mais preparado que Lula para manter o benefício com o atual valor por 48% dos eleitores ?43% dizem que o petista é mais preparado. Já entre os que recebem o benefício, o cenário é o oposto. Metade diz que o petista tem mais condições de manter a quantia, enquanto 42% acreditam ser o atual presidente.
Para a maioria dos que não recebem a assistência (54%), Bolsonaro é o mais preparado para defender os valores da família tradicional. No grupo do Auxílio, 52% indicam ser Lula; 48% dos não beneficiários acreditam que Bolsonaro tem mais condições de combater a corrupção. A metade dos beneficiários acredita que o petista sairia melhor.
Fonte: Folha de S.Paulo
