A taxa de aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caiu ao menor nível de seu segundo mandato, segundo pesquisa New York Times/Siena divulgada nesta segunda-feira (18). De acordo com o levantamento, a maioria dos americanos acredita que Trump tomou a decisão errada ao entrar em guerra com o Irã em 28 de fevereiro, uma vez que, para esses eleitores, o conflito não valeu os custos.
A aprovação do presidente republicano recuou para 37%, o patamar mais baixo de seu segundo mandato nas pesquisas Times/Siena, em meio à forte impopularidade do conflito no Oriente Médio.
Quase dois terços dos eleitores afirmaram que a entrada dos Estados Unidos na guerra foi um erro, incluindo quase três quartos dos independentes, grupo considerado decisivo politicamente. Menos de um quarto dos entrevistados avaliou que o conflito compensou os custos envolvidos.
A pesquisa foi realizada em meio à aproximação das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro, e ao aumento das preocupações dos eleitores americanos com a condução da economia pelo presidente.
Republicanos, de forma geral, continuam aprovando o desempenho de Trump e apoiando a guerra. Entre os demais eleitores, porém, prevalece o forte ceticismo em relação à condução do presidente em áreas como economia e custo de vida. Segundo a pesquisa, 64% desaprovam a gestão econômica de Trump, área que figura historicamente como um dos principais pontos fortes do mandatário, e a maioria também avalia negativamente sua atuação em temas como custo de vida e o conflito na Palestina.
Uma maior insatisfação com Trump vem dos considerados independentes. 69% dos eleitores que fazem parte desse grupo desaprovam o desempenho do presidente, contra 62% em pesquisa realizada em janeiro. Além disso, 47% dos independentes disseram que as políticas de Trump os prejudicaram, ante 41% no fim de 2025.
No total, 44% dos eleitores afirmaram que as políticas de Trump os prejudicaram pessoalmente, montante superior aos 36% registrados no ano passado.
Brent Klein Jr., empresário do setor de limpeza no Missouri e eleitor republicano que votou em Trump em 2020 e 2024, afirmou em entrevista ao New York Times estar “muito irritado” com a decisão do presidente de atacar o Irã sem autorização do Congresso.
Klein acrescentou ainda que deseja apenas que sua família tenha “uma vida boa e saudável” e criticou o aumento do custo de vida. Segundo ele, não quer “continuar pagando cada vez mais por comida e outras coisas”.
Apesar da queda na aprovação de Trump, os republicanos ainda preservam vantagens eleitorais importantes, especialmente após ganhos estruturais obtidos com o redesenho de distritos eleitorais em Estados controlados pelo partido, prática conhecida como “gerrymandering”. Com essas mudanças no mapa da Câmara dos Representantes, os republicanos conquistaram vantagem estimada entre seis e dez novos distritos considerados favoráveis.
Ademais, Trump continua a manter o tema da imigração como um ativo político, registrando aprovação relativamente estável em 41%.
Soma-se a isso o fato de que os democratas ainda não convenceram os eleitores de que oferecem uma alternativa atraente. A pesquisa New York Times/Siena indicou que apenas 26% dos eleitores disseram estar satisfeitos com o Partido Democrata.
O descontentamento também atinge uma parcela relevante da base democrata. Segundo a pesquisa, 44% dos eleitores do partido disseram estar descontentes com os democratas, enquanto entre os republicanos esse índice foi de 23%.
Enquanto democratas e republicanos se preparam para uma disputa legislativa que promete ser cara e altamente polarizada, o levantamento também indicou que os candidatos republicanos chegam à corrida eleitoral carregando importantes desgastes políticos.
Ao responderem uma pergunta hipotética sobre as eleições legislativas, 50% dos entrevistados disseram que votariam no candidato democrata se a eleição fosse hoje, contra 39% que escolheriam o republicano – vantagem de mais de 10%. Entre independentes, a vantagem democrata chegou a 18 pontos, embora 16% não tenham escolhido partido.
Com as negociações de paz com o Irã estagnadas e o fechamento do Estreito de Ormuz pressionando os preços da energia, a disposição dos americanos para uma retomada das operações militares contra Teerã segue limitada. Segundo a pesquisa, 52% afirmaram que Trump não deveria reiniciar ações militares contra a República Islâmica caso um acordo sobre o programa nuclear iraniano não seja alcançado em breve.
63% dos eleitores, incluindo 27% dos republicanos, disseram que o presidente não deveria usar força militar sem aprovação do Congresso, enquanto parlamentares discutem os poderes de guerra do legislativo.
A base trumpista, por outro lado, continua a apoiar a guerra contra o Irã e deseja sua continuidade. 70% dos republicanos acreditam que as operações militares americanas devem ser retomadas se não houver acordo, e 73% esperam que a guerra elimine com sucesso o programa nuclear iraniano.
A percepção sobre a economia piorou desde o início dos bombardeios de Trump contra o Irã no fim de fevereiro. A partir de então, o preço médio da gasolina ultrapassou US$ 4,50 por galão, conforme dados da Associação Automobilística Americana (AAA), enquanto indicadores como confiança do consumidor, inflação e endividamento das famílias se deterioraram nas últimas semanas
Nesse contexto, a parcela de eleitores que considera a economia “ruim” aumentou 11 pontos desde janeiro e alcançou quase metade dos entrevistados. Até entre republicanos houve divisão, com cerca de metade avaliando a economia como apenas razoável ou ruim.
A fatia de eleitores que considera que os Estados Unidos seguem na direção certa caiu de 37% em janeiro para 32% atualmente. O recuo foi impulsionado principalmente por uma queda de 12 pontos entre eleitores republicanos.
A aprovação do presidente em temas econômicos também registrou queda significativa desde o início de 2026: apenas 28% disseram que Trump lidou bem com o custo de vida, queda de seis pontos desde janeiro. Já entre republicanos, a queda foi maior, de 14 pontos.
Nos últimos dias, Trump minimizou as preocupações econômicas e afirmou a jornalistas que a situação financeira dos americanos não o motivava “nem um pouco” a encerrar a guerra contra o Irã.
No domingo, o presidente escreveu em sua plataforma Truth Social que :”o tempo está se esgotando” para o Irã e que “é melhor eles [autoridades iranianas] se mexerem, RÁPIDO, ou não sobrará nada deles. O TEMPO É ESSENCIAL!”.
Fonte: Valor Econômico