O otimismo do investidor institucional local com a moeda brasileira voltou a aumentar. A aposta a favor do real contra o dólar no mercado de derivativos ficou acima de US$ 10 bilhões no fechamento de quarta-feira, pela primeira vez acima desse nível desde 3 de abril, de acordo com dados da B3Cotação de B3.
Os dados do mercado de dólar futuro, dólar mini, swap e cupom cambial (DDI) apontam que a posição vendida em dólar e comprada em real pelo investidor institucional doméstico atingiu US$ 10,196 bilhões na sessão de quarta.
Em meados de junho, durante um período de forte pessimismo com a moeda brasileira, essa posição chegou a US$ 3,5 bilhões, na mínima do ano. Depois, ainda em junho, houve uma melhora leve até o nível de US$ 4 bilhões, patamar que se manteve até agosto. Desde então, a perspectiva quanto ao desempenho do real tem melhorado.
No caso do investidor estrangeiro, houve também uma melhora, com a aposta a favor do dólar contra o real em torno de US$ 70 bilhões no fim da sessão de quarta-feira. Também em junho, durante o mau humor com o câmbio doméstico, essa posição chegou a rondar os US$ 80 bilhões. Até o começo de agosto, esse patamar caiu para perto de US$ 75 bilhões e, desde então, melhorou gradativamente.
Nos últimos dias, a sensação de que o câmbio poderia se beneficiar do aumento do diferencial de juros já constava, em especial, nas análises de bancos estrangeiros e alguns abriram posição no real para capturar algum ganho com a valorização esperada da moeda brasileira, que se concretizou. Foi o caso do Barclays, que abriu recomendação para uma aposta vendida em dólar contra o real, ou seja, via uma queda da moeda americana no câmbio doméstico.
Em relatório enviado a clientes, a chefe de estratégia para Américas do banco britânico, Andrea Kiguel, avalia que o real deve continuar a se beneficiar da divergência da política monetária entre o Brasil e os Estados Unidos. “O Brasil passou por uma grande crise de confiança ao longo do ano, onde o ruído monetário serviu, essencialmente, como um alerta de que a âncora fiscal está fraca. No entanto, a mensagem coordenada entre o governo e o BC sugere que o pessimismo atingiu o pico, por enquanto. A estrutura fiscal continua vulnerável, mas, por ora, achamos que as autoridades fizeram o suficiente para acalmar os mercados nesse front.”
No caso do Citi, o estrategista Ivan Riveros acredita que o ciclo de aperto na Selic deve permanecer favorável ao real. “Ainda mantemos um viés em direção a uma força maior do real após o primeiro aumento nos juros, particularmente porque ele entra no ciclo tendo acumulado um prêmio de termo (‘term premium’, o prêmio exigido para carregar uma posição ao longo do tempo) com as preocupações fiscais”, afirma o profissional em nota enviada a clientes.
Também o estrategista Roque Montero, do UBS, diz observar o potencial de valorização do real ante o peso mexicano. “Acreditamos que o BC do Brasil provavelmente será o banco central mais ‘hawkish’ [favorável ao aperto] nos próximos três meses na América Latina, enquanto os ‘valuations’ estão atraentes e o posicionamento é leve”, diz o estrategista, ao observar que o peso mexicano parece vulnerável a riscos políticos, “especialmente se o risco de reformas constitucionais ressurgirem nas próximas semanas, mas também devido aos riscos das eleições nos EUA”.
Fonte: Valor Econômico