A tendência desenhada pela pesquisa Genial/Quaest nesta quarta-feira (11) é inequívoca: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tornou-se — por ora — o favorito para vencer as eleições presidenciais de outubro e, mantidas as balizas atuais, já deve aparecer à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas simulações de segundo turno na próxima rodada. Todos os indicadores da pesquisa, tanto a de avaliação de governo quanto a de intenção de voto, são ruins para o presidente.
A intenção de voto na simulação de segundo turno de Lula contra Flávio cai há quatro rodadas consecutivas. Era 46% em dezembro, foi para 45% em janeiro, 43% em fevereiro e 41% agora. Flávio largou de 36%, ficou em 38% durante duas rodadas e agora foi para os mesmos 41%. A vantagem inicial de dez pontos percentuais do presidente se liquefez durante o verão. A rejeição de Lula subiu dois pontos percentuais, passando de 54% para 56%. A de Flávio se manteve em 55%.
Na simulação de primeiro turno a vantagem de Lula sobre Flávio até cresceu de seis para sete pontos percentuais (37% a 30%) no cenário base, que inclui Ratinho Júnior (PSD), com 7%, Romeu Zema (Novo), com 3%, Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo (DC), com 1% cada. Mas nos cenários em que Ratinho é substituído pelos correligionários Ronaldo Caiado ou Eduardo Leite, ou o quadro de concorrentes é enxugado, com a saída de Zema, Flávio cresce e encosta em Lula. Ratinho Júnior e Zema tiram votos de Flávio, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste. Na hipótese de eles não serem candidatos, uma ultrapassagem de Flávio sobre Lula ainda no primeiro turno é possível.
As más notícias para Lula vêm sobretudo da pesquisa de avaliação de governo. Sua desaprovação voltou a subir, passando de 49% para 51% de fevereiro para março. Mas o mais preocupante para o Planalto é a taxa de aprovação, que ficou em 44%, o menor percentual desde julho. Todo o ganho que Lula depois que o presidente americano Donald Trump decidiu sancionar o Brasil com o apoio da família Bolsonaro desapareceu.
Pela primeira vez desde o início da série a desaprovação de Lula no eleitorado feminino ultrapassou a aprovação. O governo Lula é rejeitado por 48% das mulheres e aprovado por 46%. O dado é relevante para a corrida presidencial porque o eleitorado feminino é um dos pontos de fragilidade do bolsonarismo. O relatório da Quaest infelizmente não traz o cruzamento da intenção de voto por gênero, mas a debilidade de Flávio neste segmento foi detectada em outras pesquisas.
No eleitorado que se diz independente do lulismo e do bolsonarismo, fatia que corresponde a um terço do total, a aprovação de Lula esvazia como um balão. Cai há cinco rodadas. Era 43% há seis meses e agora é 33%.
Foram muitas as notícias negativas em relação a Lula nos últimos dias, sendo uma, a das suspeitas de envolvimento do filho Fábio Luís Lula da Silva no escândalo do INSS, potencialmente letal. Mas a pesquisa mostra uma fraqueza estrutural: a percepção de que o desempenho da economia piorou cresceu de 43% para 48% e atingiu a pior marca desde setembro. Isso depois de semanas em que o governo despejou milhões de reais em propaganda sobre o aumento da isenção do imposto de renda para a faixa de R$ 5 mil.
Uma pesquisa alarmante como essa pode levar o presidente Lula a dois movimentos. O primeiro, que começa a se desenhar, é o de finalmente começar a bater em Flávio. Parecia nítido para muitos observadores que Lula e seu entorno poupavam Flávio, possivelmente por vê-lo como um adversário mais frágil do que seria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O segundo é de avançar o sinal no terreno fiscal. O ex-presidente Jair Bolsonaro melhorou sua intenção de voto em 2022 depois do calote nos precatórios e da aprovação, pelo Congresso, de gastos na área social mesmo em período eleitoral.
Bolsonaro perdeu a eleição, mas certamente não por ser gastador. O Congresso tem infligido derrotas à esquerda e ao governo, mas na área social, e em um ano eleitoral, tende a ser mais leniente. Lula possivelmente irá constatar que apostar suas fichas na rejeição de Flávio não será suficiente para reelegê-lo.
Fonte: Valor Econômico
