A Agência Internacional de Energia (AIE) aprovou nesta quarta-feira a liberação de 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas emergenciais, como forma de conter a disparada dos preços provocada pela guerra lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irã.
O diretor-geral da AIE, Fatih Birol, afirmou que os países-membros da agência concordaram de forma unânime com a liberação dos estoques, acrescentando que os mercados de petróleo e gás estão sofrendo grande volatilidade devido ao conflito no Oriente Médio.
“Os desafios que enfrentamos no mercado de petróleo são sem precedentes em escala”, afirmou o diretor da AIE. “Os países-membros responderam com uma ação coletiva de emergência de tamanho sem precedentes.”
Birol explicou que a agência divulgará posteriormente um cronograma detalhando a liberação das reservas para compensar os cerca de 20 milhões de barris por dia de petróleo e produtos refinados que foram retirados do mercado devido à interrupção do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz.
A proposta da AIE foi apresentada em paralelo à uma reunião dos líderes do G7 para discutir o tema. O encontro está sendo presidido pelo presidente da França, Emmanuel Macron, que ocupa atualmente o comando do grupo.
Mais cedo, a ministra da Economia da Alemanha, Katherina Reiche, havia confirmado os relatos sobre o volume de 400 milhões de barris e disse que o país participará da liberação. Os EUA e o Japão serão os maiores contribuintes, segundo ela.
“A pressão veio principalmente do governo dos EUA, que quer essa liberação”, disse um diplomata da União Europeia antes da declaração da AIE.
O secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, saudou os relatos sobre a liberação planejada. “Este é o momento perfeito para pensar em liberar parte dessas reservas para aliviar um pouco a pressão sobre o preço global”, disse ele em entrevista à Fox News.
Burgum disse, no entanto, que não acredita que o mundo esteja enfrentando uma escassez de energia. “Há um problema temporário de trânsito que estamos resolvendo militar e diplomaticamente, que podemos resolver e vamos resolver”, disse ele, sobre a situação no Estreito de Ormuz.
Analistas disseram que o ritmo diário de liberação dos estoques da AIE será tão importante quanto — ou até mais do que — o volume total, que superará os 182 milhões de barris injetados no mercado pelos países depois da invasão da Ucrânia pela Rússia.
Se 100 milhões de barris forem liberados ao longo do próximo mês, o ritmo diário será de cerca de 3,3 milhões de barris por dia — uma fração da atual interrupção de cerca de 20 milhões de barris por dia, com o Estreito de Ormuz entre Irã e Omã efetivamente bloqueado.
“Para deixar claro: a coisa mais importante para o retorno aos fluxos normais de petróleo e gás é a retomada do trânsito pelo Estreito de Ormuz”, afirmou Birol ao anunciar a liberação.
Mais três embarcações foram atingidas por projéteis de origem desconhecida no Estreito de Ormuz, disseram nesta quarta-feira empresas de segurança e risco marítimo, elevando para pelo menos 14 o número de navios atingidos na região desde o início do conflito e ressaltando o quão perigoso o tráfego se tornou.
Agindo antes da medida da AIE, o Japão, membro do G7, anunciou planos para liberar reservas de petróleo equivalentes a 15 dias do setor privado e a um mês das reservas estatais.
“Em vez de esperar pela aprovação formal da AIE para uma liberação coordenada internacional de reservas, o Japão agirá primeiro para aliviar a oferta e a demanda no mercado global de energia, liberando reservas já a partir do dia 16 deste mês”, disse a primeira-ministra do país, Sanae Takaichi.
As economias ocidentais coordenam seus estoques estratégicos de petróleo por meio da AIE, que foi criada após a crise do petróleo dos anos 1970.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2026/P/l/IE0iAbQtmnmjQcRZuATg/uma-das-dez-reservas-naciconais-de-petroleo-do-japao-na-provincia-de-kagoshima.jpg)
Uma das dez reservas nacionais de petróleo do Japão, membro da AIE, na província de Kagoshima — Foto: Reprodução: Nikkei Asia
Fonte: Valor Econômico
