Há uma trilha a ser aberta que pode fazer da cannabis um item bastante relevante na composição do PIB.
Esse salto, por sua vez, demandará integração e articulação entre Ministério da Saúde, Anvisa e BNDES. Porque a cannabis pode ser objeto de pesquisa científica que explore seu potencial – o canabidiol (ou CBD) é só uma das mais de 700 substâncias que se pode extrair da cannabis e que têm valor terapêutico, e o potencial medicinal da planta ainda está aberto a mais exploração. As autorizações do órgão regulador podem ser agilizadas sem perda de rigor ou flexibilização de critérios; desburocratizar seria um excelente primeiro passo.
Isso vai demandar, claro, uma despolitização do tema. Como diz uma expressão em inglês (numa tradução livre), é preciso manter o olho na bola – e a bola é o crescimento econômico. Basta ver dados da Anvisa – que mostram que a demanda cresceu nada menos que 9.300% desde 2015 – para se ter uma ideia de como há potencial para crescer. Naquele ano, foram 850 autorizações para importar medicamentos derivados; no ano passado, essas autorizações beiraram 80 mil. Ainda sem normas e regulações para cultivo, não são poucos os locais em que já se cultiva a planta para dar conta dessa demanda.
Não há por que manter essa produção nesse nível quase artesanal. Aí entra o BNDES, para estimular os avanços de um parque fabril farmacêutico que no Brasil já é bem estabelecido. Mais investimentos em pesquisa na academia e mesmo na iniciativa privada podem servir de cartaz para mostrar à indústria que sim, há uma trilha a ser aberta e seguida que pode fazer da cannabis um item bastante relevante na composição do PIB (Produto Interno Bruto). Associações de pacientes que fazem uso desses medicamentos realizam um trabalho de divulgação e conscientização. Mas é preciso uma escala muito maior.