Preços aumentaram cerca de 15 vezes em relação aos níveis pré-covid depois que a China bloqueou as exportações
Por Nikkei Asia — Nova York (EUA)
Os preços dos macacos de laboratório nos Estados Unidos aumentaram cerca de 15 vezes em relação aos níveis pré-covid depois que a China bloqueou as exportações e uma nova fonte estável ainda não foi encontrada.
A escassez pode atrasar o desenvolvimento dos fabricantes farmacêuticos americanos, tornando o problema uma questão de segurança econômica nacional. Os macacos são considerados indispensáveis para o desenvolvimento de novas drogas. Os Estados Unidos há anos exigem testes de segurança em animais antes dos ensaios clínicos em humanos.
Os preços de espécies comumente usadas em testes de laboratório, como macacos de cauda longa e macacos rhesus, subiram entre US$ 55 mil e US$ 60 mil em abril, segundo Elizabeth Anderson, analista da Evercore ISI. Em janeiro o valor oscilava entre US$ 35 mil e US$ 40 mil, bem acima do nível pré-vírus, que ficava entre US$ 4 mil e US$ 7 mil.
A demanda de macacos de laboratório aumentou após o início da pandemia de covid, especialmente de grandes empresas farmacêuticas que correram para desenvolver vacinas e tratamentos. O aumento de preços foi alimentado principalmente pela China, maior exportadora de macacos, que reduziu abruptamente os embarques para o exterior após o início da pandemia.
Os Estados Unidos importaram 20.270 macacos de laboratório da China em 2019, de acordo com os centros de controle e prevenção de doenças do país – 60% ou mais de suas importações totais. Em 2020, esse número caiu para apenas 3.723.
O agravamento das relações sino-americanas também teve seu papel. A China está investindo pesadamente nas áreas médica e farmacêutica, na esperança de se tornar um líder mundial, e pretende manter os macacos que moldam a pesquisa e o desenvolvimento de drogas dentro de suas fronteiras, reflexo de como monopolizou recursos escassos e críticos, como os usados na produção de smartphones e veículos elétricos, e os explorou para sua própria segurança econômica.
Os Estados Unidos estão em busca de uma nova fonte, mas é difícil implementar rapidamente uma infraestrutura para macacos de laboratório. Os animais usados para o desenvolvimento de drogas devem ser criados em instalações de reprodução sob condições estritas. Macacos selvagens podem transmitir doenças e não podem ser usados em ensaios clínicos.
Depois que a China interrompeu as exportações, os Estados Unidos adotaram o Camboja como fonte. Mas, em novembro passado, o serviço americano de pesca e vida selvagem proibiu as importações do país do Sudeste Asiático após acusações de que macacos selvagens de cauda longa estariam sendo exportados do Camboja para os Estados Unidos como se tivessem sido criados em cativeiro para pesquisa.
Atualmente, não há perspectiva de retomar as exportações da China ou do Camboja. Elizabeth Anderson disse ao “Nikkei Asia” que é improvável que as exportações da China sejam retomadas em 2023, devido à sua postura dura em relação aos Estados Unidos.
Os efeitos da escassez de macacos no desenvolvimento de tratamentos de câncer de ponta e outras drogas estão se espalhando. Se uma nova fonte não puder ser garantida, as empresas farmacêuticas americanas poderão começar a sofrer atrasos no desenvolvimento de novos medicamentos a partir do final de junho, pontuou a analista da Evercore ISI.
Fonte: Valor Econômico