A nova diretriz para evitar o uso de adoçantes é direcionada a todas as pessoas, exceto os indivíduos com diabetes pré-existente
Por Natália Flach, Valor — São Paulo
Quando for tomar o seu próximo cafezinho no escritório, é bom pensar duas vezes antes de adoçá-lo. É que a Organização Mundial de Saúde (OMS) fez um alerta, nesta segunda-feira (15), de que os adoçantes não conferem benefício na redução da gordura corporal e ainda podem provocar efeitos indesejáveis a longo prazo, como um risco aumentado de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e até mortalidade em adultos.
A lista inclui acesulfame K, aspartame, advantame, ciclamatos, neotame, sacarina, sucralose, estévia e derivados de estévia. De acordo com o estudo da OMS, esses adoçantes podem alterar o percentual da glicose, fazendo com que o indivíduo passe a ter os efeitos da diabetes tipo 2.
Mas engana-se quem acha que o anúncio da OMS pode ser entendido como uma redenção do açúcar. Segundo Márcio Mancini, vice-presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, os estudos que atestam os malefícios do açúcar para o organismo são muito contundentes. Logo, o ideal é que as pessoas não abusem do açúcar e tenham uma alimentação mais saudável, com cinco a seis porções de frutas e legumes por dia, além de fibras.
Essa também é a conclusão da nova diretriz da OMS que tem como objetivo ajudar governos a definir políticas públicas relacionadas à alimentação; olhando com lupa produtos light e diet, que muitas vezes são consumidos por quem não quer engordar ou por quem está acima do peso, e não por indivíduos com diabetes pré-existente (esses, sim, precisam fazer uso de adoçantes).
Assim, o alerta é válido para bebidas e comidas industrializadas, como refrigerantes, que usam ingredientes não nutritivos sintéticos, naturais ou modificados que não são classificados como açúcares. Entretanto, não se aplica a produtos de higiene e higiene pessoal que contenham adoçante, como creme dental, creme para a pele e medicamentos, nem a açúcares de baixa caloria e álcoois de açúcar (polióis, como xilitol), que são açúcares ou derivados de açúcares que contêm calorias – e, portanto, não são considerados adoçantes.
“Substituir açúcares livres por adoçantes não ajuda no controle de peso a longo prazo. As pessoas precisam considerar outras maneiras de reduzir a ingestão de açúcares livres, como consumir alimentos com açúcares naturais, como frutas, ou alimentos e bebidas sem açúcar”, diz Francesco Branca, diretor de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS, em nota.
“Os adoçantes não são fatores dietéticos essenciais e não têm valor nutricional. As pessoas devem reduzir completamente a doçura da dieta, começando cedo na vida, para melhorar sua saúde.”
Política pública no Brasil
Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que os rótulos dos produtos passassem a conter advertências em alimentos com excesso de sal, açúcar, gordura e calorias. Segundo Mancini, também chegou-se a considerar um alerta sobre adoçantes, mas o composto acabou ficando de fora.
Fonte: Valor Econômico