Por Adriana Cotias, Valor — São Paulo
09/08/2022 17h30 Atualizado há 16 horas
Em tempos de “bear market” — de mercado vendedor de ativos de maior risco —, a XP Inc. reportou queda na sua captação líquida e menor ritmo no crescimento de suas receitas e do resultado líquido no segundo trimestre.
Segundo dados divulgados ao mercado nesta terça-feira, o lucro líquido ajustado alcançou R$ 1,046 bilhão no segundo trimestre, um incremento de 1% em relação ao observado no mesmo período do ano passado. As receitas brutas cresceram 13%, a R$ 3,6 bilhões, na mesma base de comparação, sendo, em termos nominais, o maior faturamento trimestral da XP. As receitas líquidas, por sua vez, alcançaram R$ 3,4 bilhões, com incremento de 14% em 12 meses.
A captação líquida no trimestre foi de R$ 43 bilhões, uma queda de 43% em 12 meses e de 7% em relação ao período de janeiro a março. Sob uma métrica ajustada, em que a XP exclui custódias concentradas acima de R$ 5 bilhões num mesmo grupo, houve uma queda de 6% em 12 meses, mas aumento trimestral de 44%, segundo a XP.
Como já divulgado na sua prévia operacional, o total da custódia atingiu R$ 846 bilhões, com alta de 4% na comparação anual e queda de 3% no trimestre, sob o efeito da marcação a mercado, ou seja, a atualização do valor dos ativos nas carteiras dos investidores. A XP também apresentou um valor ajustado em que aparece um crescimento de 18% em 12 meses, para um total de R$ 731 bilhões.
“A XP vai crescer a taxas diferentes num cenário de ‘bull market’ [mercado comprador de risco] a um de ‘bear market’”, comentou Bruno Constantino, executivo-chefe de finanças (CFO) da XP, em conferência de imprensa.
Questionado se o menor fluxo de dinheiro novo pode ter relação com a demanda por ativos de renda fixa, provocando certa acomodação do investidor nos grupos financeiros tradicionais, o executivo disse que essa é uma hipótese.
“Num cenário de juros mais altos a sua urgência para tomar a decisão de mexer nas aplicações é menor, leva mais tempo, mas basicamente é efeito do ambiente macro”, afirmou. “Os movimentos são cíclicos, a gente não tem bola de cristal, não consegue prever, mas quando penso no longo prazo para o nosso negócio, isso não é relevante porque a XP está crescendo nos dois cenários.”
O executivo enfatizou que a XP segue como uma companhia de alto crescimento e que tem conseguido manter as margens saudáveis. A margem/Ebtida ajustada caiu de 41,3% no segundo trimestre de 2021 para 35,4% no último período. No primeiro trimestre, tinha sido de 38,2%. A margem líquida ajustada ficou em 30,5%, alinhada às metas de desempenho da companhia divulgadas ao mercado.
Com cerca de R$ 500 milhões em investimentos feitos ao longo deste ano, em áreas que ainda não dão contribuição significativa para o bolo de resultados, há o peso dessas despesas no desempenho operacional, citou Constantino. “A gente espera que esses investimentos comecem a apresentar resultados mais relevantes de 2023 em diante, em negócios que vão escalar por muitos anos”, disse. “É importante seguir investindo para ter crescimento na perpetuidade.”
O executivo afirmou ainda que, para o resto do ano, com as eleições presidenciais, não dá para esperar alguma distensão, e a volatilidade tende a prevalecer.
As novas verticais, de previdência, crédito, cartões e seguros, responderam por receitas totais de R$ 264 milhões, 7,3% da receita bruta total, com crescimento de 7% no trimestre e 113% em 12 meses. Esses valores não são auditados.
Fonte: Valor Econômico
