Por Eduardo Magossi e Gabriel Caldeira — De São Paulo
05/01/2023 05h01 Atualizado há 5 horas
Embora tenha reduzido os ganhos durante a sessão, Wall Street fechou em terreno positivo ontem, em parte ignorando os sinais mais “hawkish” (inclinados ao aperto) dados pela ata da reunião de 13 e 14 de dezembro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve e por indicadores de emprego e atividade industrial. Nem um comentário extremamente altista do presidente regional do Fed de Mineápolis, Neel Kashkari, abalou os investidores.
O índice Dow Jones fechou em alta de 0,40%, a 33.269,77 pontos, o S&P 500 avançou 0,75%, a 3.852,97 pontos, e o Nasdaq subiu 0,69%, a 10.458,762 pontos.
Na ata da reunião divulgada ontem, as autoridades do Fed reiteraram seu compromisso com o combate à inflação e afirmaram que o fato de reduzirem o ritmo das altas não significa que irão diminuir o esforço para controlar as pressões de custos. Na reunião de dezembro, o Fed elevou as taxas em 0,50 ponto percentual, para a faixa de 4,25% a 4,50%, depois de quatro altas consecutivas de 0,75 ponto.
Nenhum dos membros do Fomc prevê cortes de juros nos EUA em 2023, segundo a ata. Mesmo assim, o mercado continua precificando um corte de juros em dezembro. O documento também ressalta a percepção de que a inflação segue muito elevada, a necessidade de mais aumentos de juros e a preocupação quanto à flexibilização das condições financeiras antes de que o Fed tenha certeza de que as pressões de custos estão controladas.
“Uma política restritiva precisaria ser mantida até que os dados forneçam confiança de que a inflação está em uma trajetória descendente sustentada para 2%, o que provavelmente levará algum tempo”, diz a ata, que destacou que existe o risco dos EUA entrar em recessão em 2023.
Para Ian Shepherdson, economista-chefe da Pantheon Macroeconomics, o Fed ainda considera o mercado de trabalho forte, com desequilíbrio entre oferta e demanda. “Resumindo, eles querem ver evidências de desaceleração no mercado de trabalho e da alta dos salários e não apenas previsões”, afirma o economista em nota. Com essa pressão salarial, Shepherdson diz acreditar que não se deve esperar que o Fed reduza o combate à inflação até que fique extremamente óbvio que uma mudança expressiva está em andamento.
Ontem mais cedo, dados do Departamento de Trabalho mostraram que o número de vagas em aberto na economia dos EUA subiu ligeiramente para 10,5 milhões no último dia útil de novembro, ante 10,3 milhões em outubro, mostrando que esse mercado segue resiliente. Já dados sobre atividade industrial dos EUA do ISM revelaram um aprofundamento do ritmo de retração do setor, caindo para o menor patamar desde maio de 2020, o que renovou os temores de que uma recessão pode estar próxima.
Nem o tom extremamente hawkish de Neel Kashkari abalou o mercado acionário. Segundo o presidente do Fed de Mineápolis, os juros dos Estados Unidos terão que ir para um patamar em torno de 5,4% para que a inflação seja controlada. A expectativa do mercado hoje é a de que os juros não subam além de 5% e atinjam seu pico no primeiro trimestre. Além de projetar uma taxa média de 5,4% para 2023, ele acredita que os juros estarão em 4,60% em 2024 e 2,90% em 2025.
“Dada a experiência da década de 1970, o Fed deve evitar o erro de cortar os juros prematuramente e fazer com que a inflação volte a subir. Isso seria um erro caro, então o corte dos juros só deve ser feito quando estivermos convencidos de que realmente derrotamos a inflação”, disse.
Fonte: Valor Econômico
