Os mercados em Nova York exibiram ontem uma continuação do apetite por risco observado no fim da semana passada, quando os números de abril do relatório de empregos dos Estados Unidos, o “payroll”, mostraram uma brusca desaceleração do mercado de trabalho. O indicador abriu espaço para os investidores reprecificarem as suas expectativas para os cortes de juros do Federal Reserve (Fed), em direção a um cenário mais otimista para a política monetária.
Assim, as bolsas de Nova York voltaram a fechar com ganhos ao redor de 1%: o índice Dow Jones teve alta mais modesta, de 0,46%, a 38.852,27 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 1,03%, a 5.180,74 pontos, e o Nasdaq avançou 1,19%, a 16.349,24 pontos.
Na renda fixa, o ritmo foi mais contido após as taxas despencarem com a expectativa por mais cortes de juros neste ano. O rendimento da T-note de dois anos teve leve alta a 4,837%, de 4,829% no ajuste da sexta-feira. Por outro lado, o retorno da T-note de dez anos cedeu de 4,518% para 4,492%, fechando abaixo de 4,5% pela primeira vez desde 9 de abril.
“A leitura fraca do payroll na sexta-feira pode ter sido suficiente para desencadear uma alta dos Treasuries que levou os rendimentos do título de dez anos para 4,45%, mas não mudou substancialmente a tendência do Fed de permanecer no juro terminal [no fim do ciclo] até que haja maior progresso” em direção à meta de 2%, avaliam Ian Lyngen e Vail Hartman, analistas de renda fixa do BMO Capital Markets.
A opinião dos profissionais foi corroborada por comentários de dirigentes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) ontem. Presidente da distrital de Nova York do Fed, John Williams cravou que o próximo movimento dos juros será de queda, mas lembrou que a autoridade monetária reage à “totalidade dos dados”, e não a leituras isoladas, que podem subir ou cair de forma imprevisível.
Thomas Barkin, presidente do Fed de Richmond, disse ter confiança de que a atual taxa básica de juros, no intervalo de 5,25% a 5,5%, será suficiente para trazer a inflação à meta. Segundo ele, com o mercado de trabalho e a economia fortes nos Estados Unidos, o banco central tem tempo para atingir o grau de confiança necessário para, finalmente, começar a reduzir os juros.
O Fed divulgou ontem o seu relatório trimestral sobre as condições de crédito e empréstimos de bancos nos Estados Unidos. Segundo resumiu o banco central, as condições ficaram mais apertadas e a demanda diminuiu tanto nos setores comercial e industrial quanto para a maioria das categorias de empréstimos para pessoas físicas.
“Não é de se admirar, portanto, que o presidente [do Fed, Jerome] Powell – que teria visto os resultados da pesquisa antes da reunião do Fomc na semana passada – tenha sido inflexível na coletiva de imprensa ao considerar que a política monetária é suficientemente restritiva e que simplesmente precisa de mais tempo para funcionar. As chances de o Fed aumentar os juros este ano, portanto, parecem muito pequenas”, dizem os analistas Ian Shepherdson, Samuel Tombs e Oliver Allen, da Pantheon Macroeconomics.
fonte: valor econômico


