O rali de ativos de risco da segunda metade da semana passada provocou um movimento de correção ontem, com o mercado em Wall Street devolvendo parte dos fortes ganhos que levaram as bolsas de Nova York a subirem em torno de 2% no acumulado das cinco sessões anteriores, em uma de suas melhores semanas até aqui em 2024.
O índice Dow Jones teve queda de 0,41%, a 39.313,64 pontos; o S&P 500 recuou 0,31%, a 5.218,19 pontos; e o Nasdaq cedeu 0,27%, a 16.384,47 pontos. Já na renda fixa, a taxa da T-note de 10 anos subiu a 4,246%, de 4,202% no fechamento de sexta-feira.
Por fim, o índice DXY do dólar encerrou a tarde em queda de 0,23%, a 104,237 pontos. Na semana passada, a moeda americana experimentou uma forte apreciação ante pares diante da leitura de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) cortará menos os juros em comparação com outros bancos centrais de países desenvolvidos, em especial da Europa.
O foco ficou sobre comentários de dirigentes do Fed, que no geral mostraram um otimismo mais contido quanto aos cortes de juros. O que mais chamou atenção foi o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, que foi bastante conservador ao afirmar que espera apenas um corte de 0,25 ponto percentual dos juros em 2024. O comentário deixou os investidores mais cautelosos após o bom humor com a comunicação menos dura que o esperado na decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) na última quarta-feira. Atualmente, o mercado projeta entre três e quatro cortes até dezembro.
Já a diretora Lisa Cook voltou a alertar para os riscos de cortar os juros no tempo ou volume errados. Por fim, o presidente da distrital de Chicago do banco central americano, Austan Goolsbee, novamente se mostrou mais aberto à flezibilização ao projetar três cortes de juros este ano, em linha com a mediana das projeções do Fomc.
Jennifer McKeown, economista-chefe global da Capital Economics, acredita que o efeito total das taxas altas ainda não foi sentido nos Estados Unidos, já que os juros na maior economia do mundo costumam ser fixados por um longo período. “À medida que esses ventos favoráveis forem se dissipando, o crescimento do PIB diminuirá nos próximos meses. E como as taxas de juros estão altamente restritivas, em breve será apropriado que o Fed reduza o grau de restrição da política [monetária]”, disse.
Fonte: Valor Econômico
