O mercado de capitais teve em maio R$ 43,6 bilhões em ofertas, o menor valor desde janeiro de 2024, quando o total foi de R$ 21,2 bilhões, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Em relação a abril, o montante foi 8% menor.
No mercado externo, o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve forte impacto e levou as emissões brasileiras a um recuo de 88%, de US$ 1 bilhão em abril para US$ 120 milhões. Em fevereiro, aproveitando a janela do início do ano, as companhias chegaram a levantar US$ 8 bilhões e, em janeiro, US$ 3,6 bilhões.
A queda foi generalizada no ambiente doméstico. Houve alta somente nas emissões de debêntures corporativas, de R$ 14,1 bilhões em abril para R$ 19,8 bilhões em maio, e de notas comerciais — instrumento de captação mais barato e menos burocrático, que facilita o acesso das empresas de menor porte —, de R$ 1,35 bilhão em abril para R$ 2,5 bilhões. As debêntures incentivadas ficaram quase estáveis, com ligeiro recuo de R$ 9,2 bilhões para R$ 8,9 bilhões.
Os certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio (CRIs e CRAs), que no fim de maio foram alvo de nova restrição no lastro das emissões por decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN), tiveram redução significativa. O total de CRIs foi de R$ 2,7 bilhões, frente a R$ 4,3 bilhões em abril. E os CRAs, R$ 2,8 bilhões, abaixo de abril (R$ 3,3 bilhões).
Entre os híbridos, os fundos de investimento imobiliário (FIIs) despencaram, com retração no volume alocado de R$ 4,3 bilhões em abril para R$ 522 milhões em maio, assim como os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros), que caíram de R$ 43 milhões em abril para R$ 23 milhões em maio. As emissões de fundos de direitos creditórios (FIDCs) somaram R$ 5,8 bilhões, bem abaixo dos R$ 9 bilhões de abril.
Além do montante menor, piorou o perfil dos títulos, com redução no prazo médio das debêntures de 8,29 para 6,35 anos. No mês, foram R$ 28,7 bilhões em debêntures, o que representa 65,9% do volume total colocado no mercado, sendo que 31% de incentivadas. O segundo instrumento de captação mais usado foram os FIDCs, com 13,2%, e os CRAs, com 6,4%.
“Após meses com sucessivos recordes, percebemos agora uma acomodação natural do mercado, mas com ofertas ainda em patamares historicamente elevados”, afirma Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima. “As empresas seguem recorrendo ao mercado de capitais para a gestão de seus negócios e para levantar recursos para os seus projetos.”
O total emitido no ano soma R$ 246,4 bilhões, 10,5% abaixo do acumulado no mesmo período de 2024 (R$ 278,2 bilhões). A base de comparação do ano passado é forte, já que a primeira mudança de regras por parte do CMN, restringindo o lastro de CRIs e CRAs em fevereiro, levou a uma antecipação de captações para aproveitar as regras antigas.
O perfil dos investidores que subscreveram as debêntures também mudou, com 54,8% feitas por fundos de investimento. Antes, intermediários financeiros e demais participantes vinculados à estruturação da oferta predominavam. Em abril, por exemplo, a participação destes agentes foi de 64,6%.
Fonte: Valor Econômico
