Por Juliana Schincariol, Valor — Rio
03/07/2023 18h40 Atualizado há 9 horas
Sem acessar o mercado internacional de dívida desde 2021, a Petrobras encerrou a colocação de US$ 1,25 bilhão em bônus, em uma emissão que ficou acima das expectativas da estatal. Além de melhorar o perfil da dívida, o objetivo da operação era entender como a empresa estava sendo vista pelo mercado.
“O mercado está vendo a Petrobras de uma forma bem positiva, segura, apesar dos rumores que estão sempre em torno dela”, disse ao Valor o diretor financeiro e de relações com investidores, Sergio Caetano Leite. A empresa não tem nenhuma premência financeira nem grande dívida a ser vencida. A última vez que a estatal ficou tanto tempo sem acessar o mercado foi em 1993, segundo o executivo. O hiato foi consequência de fatores como a pandemia, volatilidade dos mercados internacionais e a guerra da Ucrânia.
A Petrobras começou a falar com participantes do mercado na manhã de 26 de junho e no primeiro momento testou o apetite com uma taxa de 7,25%. O objetivo era captar até US$ 1,5 bilhão. Neste primeiro contato dos bancos, 386 investidores se mostraram interessados, e a demanda chegou a US$ 6,3 bilhões. Por conta dessa rápida resposta, a empresa entendeu que seria possível comprimir a taxa, para 6,625%.
De acordo com Leite, este patamar está ligeiramente acima do que as empresas que têm o rating de grau de investimento costumam praticar em suas captações, mostrando mais um sinal de confiança do mercado na estatal brasileira. “Tivemos um prêmio muito baixo em relação aos títulos do Tesouro americano. É um sinal de que o mercado está nos vendo com menos risco.”
A operação teve 327 investidores, a maioria da América do Norte. Também teve alocadores no Oriente Médio e América Latina, além de uma menor parte da Europa. Quase 70% deles são alocadores de fundos, segundo o diretor.
O sindicato de bancos que estruturou a operação é composto por BTG Pactual, Citi, Goldman Sachs, Itaú BBA, MUFG, Santander, Scotiabank e UBS. Leite também disse que essa foi a primeira vez que a Petrobras utilizou critérios ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) na escolha dessas instituições. Para isso, precisou do aval do Tribunal de Contas da União (TCU). “Gradativamente a Petrobras vai implementar esse tipo de postura transversalmente em tudo que faz na companhia, para escolher bancos e parceiros”, diz.
A operação da Petrobras ocorreu no momento em que outros participantes do mercado começam a voltar a testar o mercado, depois da decisão do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) de pausar o aumento da taxa de juros. Neste ano, apenas Braskem, Banco do Brasil e Vale emitiram no exterior, além do Tesouro Nacional. E há expectativas por operações de Gerdau e Cosan, como noticiou o Valor na semana passada.
Para Leite, a América Latina, especialmente o Brasil, voltará a ser a “bola da vez” no mundo. “A Europa ainda está turbulenta com a guerra da Rússia, a China está tentando se reposicionar em uma nova ordem mundial… O Brasil pode esperar influxo de capital este ano”, afirma o executivo. Em meados de junho, a S&P Global Ratings alterou a perspectiva das notas de crédito de 22 empresas brasileiras, incluindo a da Petrobras, de neutro para positiva, após ter feito o mesmo para a nota do Brasil.
A dívida atual da estatal está em torno de US$ 53 bilhões. Leite diz que a situação de geração de caixa da petroleira é sustentável, com previsão de mais investimentos. “Não vamos perder o controle do endividamento. Novas emissões vão depender de condições macroeconômicas como aconteceu agora. Se a taxa [Selic] diminuir, se tiver pouca volatilidade, se sentirmos que há oportunidades de melhorar o perfil da dívida, vamos considerar ir [novamente] a mercado”, afirma.
Fonte: Valor Econômico
